O apetite dos canadenses por proteína está reconfigurando um mercado que, até pouco tempo atrás, passava despercebido nas prateleiras dos supermercados.
O queijo cottage, impulsionado por dietas com foco proteico e por conteúdos virais em plataformas como o TikTok, tornou-se protagonista de um cenário de escassez que já preocupa varejistas em todo o país.
A demanda crescente superou a capacidade instalada da indústria láctea canadense, e o resultado apareceu nas gôndolas: relatos de desabastecimento se tornaram frequentes, obrigando os produtores a acelerar planos de expansão que, até então, seguiam em ritmo mais cauteloso.
Os números da Statistics Canada ajudam a dimensionar o fenômeno. No primeiro trimestre de 2026, a produção de queijo cottage no país somou 9.870 toneladas, um salto em relação às 8.571 toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.
O crescimento reflete diretamente o novo padrão de consumo, no qual o laticínio passou a ser visto como uma fonte de proteína acessível — um atributo que ganhou ainda mais visibilidade graças ao alcance das redes sociais.
Diante desse cenário, grandes empresas do setor decidiram não apenas reagir à demanda atual, mas se preparar para sustentá-la no médio prazo. É o caso da Gay Lea Foods, que anunciou um investimento superior a 200 milhões de dólares canadenses para ampliar suas instalações de produção em Toronto.
A conclusão das obras está prevista para 2028, e a companhia afirma que o projeto será determinante para aliviar a escassez nacional do produto.
O movimento da Gay Lea se soma a outros investimentos anunciados por players do setor, que apostam em ampliar a capacidade produtiva para atender a um consumo que, segundo especialistas ouvidos no material de origem, tende a se manter em alta enquanto o interesse por dietas ricas em proteína continuar sendo alimentado pelas redes sociais.
O caso canadense ilustra como uma tendência de consumo nascida no ambiente digital pode transbordar rapidamente para a cadeia produtiva, pressionando estoques, forçando reformulações logísticas e, no limite, movimentando centenas de milhões em novos investimentos industriais.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por The Portugal News






