ESPMEXENGBRAIND
24 ago 2026
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Medição, embalagem e logística ganham reforço tecnológico — e o impacto vai direto ao bolso da indústria 🏭
Sensores, robôs e novas embalagens: o que a indústria de laticínios está testando agora ⚙️
Sensores, robôs e novas embalagens: o que a indústria de laticínios está testando agora ⚙️

A conta que todo laticínio brasileiro tenta fechar é sempre a mesma: produzir mais, perder menos e gastar menos com isso.

É em torno dessa equação que gira boa parte das novidades tecnológicas apresentadas na Fispal Tecnologia 2026, onde fabricantes de equipamentos mostraram soluções voltadas a diferentes pontos da cadeia produtiva de lácteos — da chegada do leite na plataforma até a saída dos pallets prontos para o caminhão.

O ponto de partida de qualquer processo confiável é a medição, e é justamente aí que a indústria de instrumentação tem avançado. Um dos destaques da feira foi o medidor de vazão do tipo Coriolis, voltado a operações como recebimento de leite, carga e descarga de caminhões e produção de iogurtes — etapas em que a precisão é decisiva.

A tecnologia se diferencia por compensar automaticamente a presença de ar no leite, um problema recorrente que costuma distorcer a leitura dos medidores volumétricos tradicionais e, na prática, mascarar perdas de matéria-prima.

“A tendência é utilizar tecnologias cada vez mais precisas para eliminar erros de processo e garantir maior confiabilidade na produção”, resume Leandro Stobodzian, gerente de Negócios de Alimentos e Bebidas da Conaut Krohne.

A empresa também leva ao mercado medidores eletromagnéticos, sensores de nível para tanques de armazenamento e medidores de condutividade aplicados em sistemas CIP/SIP — os circuitos responsáveis por monitorar a limpeza das linhas de produção, etapa crítica para a segurança dos alimentos.

Se a medição cuida do que entra e sai da linha, a embalagem é onde o setor tem buscado economizar material sem abrir mão de qualidade. Uma das apresentações da feira mostrou um novo formato para a fabricação das embalagens tipo “lápis”, muito usadas em lácteos: em vez de partir de embalagens já prontas, o equipamento faz o envase diretamente a partir de bobinas.

Segundo Rayton Matheus, engenheiro da Emil, essa mudança permite reduzir em até 70% o consumo de material de embalagem — um ganho que reduz custo de insumo e impacto ambiental ao mesmo tempo.

A tecnologia embarcada nesse sistema, batizada de Squeezer Roller, retira praticamente todo o ar da embalagem antes da selagem, limpa a região da solda e resfria o produto logo depois do fechamento. O resultado, segundo Matheus, é uma qualidade de solda próxima de 99% — um dos gargalos mais comuns nesse tipo de embalagem.

O equipamento também foi pensado para depender menos de manutenções corretivas, priorizando intervenções preventivas e programadas, e alcança até 30 embalagens por minuto em produtos de 1,8 kg, chegando a 40 unidades por minuto em formatos mais leves.

A terceira frente que ganhou espaço na feira foi a automação das etapas que tradicionalmente travam a produção: alimentação de frascos, empacotamento e preparação de pallets para expedição. A Taimak apresentou posicionadores automáticos capazes de alimentar continuamente as linhas de envase, com capacidades que vão de 6 mil a 20 mil frascos por hora — uma faixa larga o suficiente para atender desde fábricas pequenas até plantas de grande porte.

Já as empacotadoras automáticas da empresa produzem entre 500 e 1.600 fardos por hora, enquanto as versões semiautomáticas rendem cerca de 250 fardos por hora, opção mais acessível para empresas em expansão. Completa a linha uma nova envolvedora de pallets, que aplica filme stretch automaticamente após o empacotamento, facilitando transporte e armazenamento.

Por trás dessas três frentes — medição, embalagem e automação — há uma preocupação comum com a rotina pesada dos laticínios: ambientes de higienização constante, exposição a agentes químicos e exigências regulatórias rígidas.

Por isso, os equipamentos apresentados na feira têm estrutura predominantemente em aço inox 304 e atendem às normas de segurança NR10 e NR12. Para Jessé Hendges, executivo de vendas da Taimak, a simplicidade mecânica das soluções reduz a ocorrência de falhas, enquanto a assistência técnica nacional e a disponibilidade de peças de reposição garantem respostas rápidas quando algo precisa de manutenção.

O conjunto de soluções mostradas na Fispal Tecnologia 2026 resume o momento da indústria de laticínios: eficiência deixou de ser um diferencial competitivo para se tornar um requisito básico de operação, num setor pressionado simultaneamente por custos, exigências de qualidade e metas de sustentabilidade.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Food Connection

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