O preço do leite no Uruguai voltou a cair em julho e chegou ao menor patamar em dólares desde dezembro de 2024.
Segundo dados do Instituto Nacional de la Leche (Inale), o valor médio pago ao produtor ficou em US$ 0,41 por litro, uma retração de 5,1% na comparação anual e de 2,6% frente a dezembro passado. Em moeda local, o litro foi pago em média a $ 16,7 — o mesmo nível de dezembro de 2025, mas 5,2% abaixo do registrado um ano antes.
Na comparação mensal, o recuo também apareceu: o preço médio por litro caiu 1,4% em pesos e 1,3% em dólares frente a junho. Nesse caso, a queda esteve ligada principalmente a um menor teor de sólidos no leite, já que o valor pago por quilo de sólidos praticamente não se moveu, fechando em $ 209,2 — apenas 0,3% abaixo do mês anterior. Na comparação mais ampla, porém, esse indicador mostra deterioração maior: recuo de 4,9% frente a dezembro e de 6,9% no acumulado de doze meses.
O cenário se torna mais sensível porque coincide com a entrada da primavera no Uruguai, período em que a produção de leite cresce sazonalmente e obriga a indústria a processar e colocar no mercado um volume maior — nem sempre nas mesmas condições de pagamento. Diante disso, duas das principais empresas do país adotaram estratégias opostas.
A Conaprole optou por segurar o preço ao produtor. O presidente da cooperativa, Gabriel Fernández, adiantou que o exercício de agosto de 2025 a julho de 2026 deve fechar com lucro, e que a intenção é usar esse resultado para sustentar o valor do leite nos próximos meses, sem recorrer a reliquidações como no exercício anterior.
“Preferimos utilizar lo que vaya a quedar del ejercicio para dar estabilidad y no tener que bajar el precio”, afirmou. A cooperativa já confirmou que não haverá alterações em agosto nem em setembro, com a intenção de estender essa estabilidade até o fim de 2026 — ainda que a própria direção reconheça que ainda não há garantias para isso.
Já a Claldy seguiu outro caminho: comunicou aos produtores um sistema de preço diferenciado, válido entre agosto e novembro. Os litros que permanecerem dentro da média individual registrada entre abril e julho continuam sendo pagos pelo preço-base.
Mas o volume que ultrapassar essa marca será remunerado a 80% do preço-base. A empresa justificou a medida pelo forte crescimento da remessa — alta de 10% no primeiro semestre — combinado à queda das cotações internacionais. Parte relevante desse excedente de primavera precisa ser destinada à exportação, em um mercado externo que ainda oferece retornos inferiores aos necessários para sustentar os preços internos atuais.
Em meio a esse quadro, o mercado internacional deu um primeiro sinal de alívio. Na última licitação do Global Dairy Trade (GDT) Pulse, o leite em pó integral subiu 2,5%, para US$ 3.625 por tonelada, enquanto o leite em pó desnatado avançou 7,3%, para US$ 3.584 por tonelada — reduzindo a diferença entre os dois produtos a apenas US$ 41 por tonelada, um mínimo histórico segundo os dados divulgados.
Para o Uruguai, esse movimento no leite em pó integral tem peso direto, dado o espaço que o produto ocupa na pauta exportadora do país.
Fernández já havia apontado como boa notícia o fato de a cotação ter estancado a queda perto de US$ 3.500 por tonelada; a recuperação para acima de US$ 3.600 reforça esse alívio, embora ainda seja preciso observar se o movimento se sustenta. Manteiga e gordura anidra, por outro lado, continuaram em queda.
O desfecho dessa disputa entre volume e preço deve se definir nos próximos meses, à medida que a produção uruguaia avança para seu pico sazonal e a indústria tenta evitar que o excedente de primavera pressione ainda mais o valor pago ao produtor.
*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairyNews Es






