ESPMEXENGBRAIND
28 ago 2026
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💰 A Moody's olhou para dentro e para fora da cooperativa antes de decidir sua nota. O resultado revela mais do que parece à primeira vista.
Moody's
📊 Enquanto o excesso de oferta aperta margens no leite, uma agência de risco enxergou algo diferente na Castrolanda.

O mercado de leite não está fácil para ninguém. Excesso de oferta, demanda enfraquecida e um volume elevado de importações vêm pressionando os preços pagos aos produtores — um cenário que a Moody’s Local Brasil identificou como um dos principais riscos do setor no país.

Foi justamente nesse contexto que a agência decidiu manter o rating A+ da Castrolanda, com perspectiva estável, confirmando que a cooperativa conseguiu blindar sua capacidade financeira mesmo com o chão do mercado tremendo.

A manutenção da nota não é um detalhe menor. Ela ocorre logo depois de a Castrolanda ter avançado de A para A+ na avaliação anterior, e chega justamente quando a cooperativa está em pleno ciclo de investimentos, expansão dos negócios e projetos de intercooperação — movimentos que normalmente pressionam qualquer avaliação de crédito, mas que aqui não abalaram a classificação.

Segundo o relatório da Moody’s, os fundamentos que sustentam o A+ são a escala relevante das operações, um modelo de negócios apoiado na base de cooperados, elevada produtividade agropecuária, posição competitiva no setor de lácteos, diversificação das atividades, governança estruturada e uma política financeira conservadora.

A combinação desses fatores vem mantendo indicadores considerados robustos pela agência, como baixa alavancagem e elevada cobertura de juros — e isso mesmo com a volatilidade típica das commodities agrícolas e com o aumento dos investimentos da cooperativa.

O gerente executivo corporativo da Castrolanda, Pedro Dekkers, explica que a análise da Moody’s vai além dos números internos da organização. “O rating não reflete somente os indicadores internos da cooperativa. Ele leva em conta o ambiente externo, o setor em que estamos inseridos, o risco-país e, como atuamos no agro, também os riscos climáticos. É uma avaliação geral”, afirma.

Nem tudo pesou a favor. A própria Moody’s apontou margens operacionais relativamente baixas, volatilidade na geração de caixa, concentração geográfica das operações e exposição às oscilações dos mercados agrícolas como pontos de atenção — elementos que ajudam a explicar por que a nota não subiu ainda mais, mesmo com o desempenho sólido da cooperativa.

Para Dekkers, o que sustentou o A+ nesse ambiente mais difícil foi outra combinação: “Os bons resultados da cooperativa, a nossa estrutura de governança, a diversificação dos negócios e o modelo baseado na fidelidade do cooperado foram aspectos positivos para mantermos o rating, mesmo em um ambiente muito desafiador.”

Um movimento específico chamou a atenção da agência: a parceria firmada em 2026 com uma instituição financeira, que passou a assumir gradualmente a concessão de crédito aos cooperados.

Na leitura da Moody’s, essa iniciativa fortalece o perfil financeiro da cooperativa porque transfere parte do risco de crédito, reduz o capital empregado pela Castrolanda, amplia o acesso dos associados a financiamentos e preserva a qualidade da carteira de crédito remanescente — uma engenharia financeira que libera recursos para as prioridades da cooperativa sem deixar o produtor sem opções de crédito.

Esse tipo de credibilidade tem um propósito concreto para Dekkers, que liga diretamente a nota ao acesso a capital em um momento de expansão. “A importância do rating está na credibilidade perante o mercado, não somente para nossos cooperados, mas principalmente para parceiros de negócios e instituições financeiras.

Elas enxergam a cooperativa como uma empresa sólida, com capacidade de honrar seus compromissos”, destaca. E completa: “Estamos em uma fase de crescimento e, para realizar nossos investimentos, precisamos de recursos. Para isso, precisamos ser atraentes para as instituições financeiras.”

Olhando para frente, a Moody’s projeta fortalecimento da geração de caixa e melhora do perfil de liquidez da Castrolanda, avaliando que o cronograma de amortização da dívida permanece administrável e que a cooperativa deverá manter uma política prudente de alocação de capital.

Com a perspectiva estável, o recado da agência é claro: espera-se que a disciplina financeira, a baixa alavancagem e a capacidade de pagamento da cooperativa continuem de pé — inclusive se o mercado de leite seguir apertado.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Portal do Agronegócio

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