Julho de 2026 foi um mês de contrastes na cesta de consumo brasileira.
Enquanto a maioria dos itens acompanhados por um levantamento nacional recuou de preço, o leite UHT seguiu na direção contrária: foi o produto com a maior alta mensal entre todas as categorias monitoradas, com avanço de 4,1% no preço médio nacional.
O dado consta do estudo “Variações de Preços: Brasil & Regiões”, realizado pela Neogrid, que acompanha o comportamento de preços de diferentes categorias de consumo pelo país. Segundo o levantamento, o leite UHT superou até mesmo produtos de limpeza e alimentos processados na lista dos maiores aumentos do mês: detergente líquido subiu 3%, massas alimentícias secas avançaram 2,5% e a massa de tomate teve alta de 2,4%.
O movimento ocorre num momento em que boa parte da cesta ficou mais barata. Os legumes tiveram a queda mais expressiva, de 9,8% no mês, seguidos pelos ovos, com recuo de 5,3%. Também caíram de preço o xampu (-4,9%), o frango (-2,4%) e o sabonete (-2,1%).
Essa desaceleração generalizada tem relação direta com o comportamento da inflação: o IPCA passou de 0,16% em junho para 0,07% em julho, acumulando alta de 3,44% no ano. Segundo dados do IBGE citados no levantamento, a alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata no período, puxada pela queda de itens como tomate, cenoura e batata.
O acumulado do ano conta outra história
Se em julho isolado o leite UHT chamou atenção pela alta pontual, no acumulado de 2026 o produto também aparece entre os que mais pesaram no bolso do consumidor. Entre dezembro de 2025 e julho de 2026, o leite UHT acumulou valorização de 28,1% — atrás apenas dos legumes (35,5%) e do feijão (35%), e à frente do pão (5,5%) e da farinha de mandioca (5,2%).
No caso dos legumes, o preço médio passou de R$ 5,50 para R$ 7,45 no período, segundo a Neogrid.
No Sudeste, o leite UHT subiu ainda mais
O recorte regional do estudo mostra que, no Sudeste, a alta do leite UHT em julho foi ainda mais acentuada que a média nacional: 4,6%, também a maior variação entre as categorias analisadas na região. Na sequência aparecem massas alimentícias secas, carne suína e pão, todos com alta de 3,4%, e biscoito, com 3,2%.
Do lado das quedas na região, os legumes recuaram 11,8%, o xampu caiu 4,3%, a carne bovina cedeu 3,5%, o feijão recuou 3,3% e o sabonete caiu 2,6%.

A citação do gerente executivo de Dados da Neogrid, Marcelo Alves, reforça o pano de fundo do levantamento: as médias nacionais escondem diferenças regionais relevantes, o que exige, segundo ele, um olhar mais estratégico da indústria e do varejo sobre o comportamento de preços em cada mercado — indo além da média nacional para ajustar precificação e mix de produtos conforme a região.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Guaíra News






