O mercado do leite em Mato Grosso terminou o primeiro semestre de 2026 com uma queda expressiva na remuneração ao produtor, mas os últimos dados apontam para uma possível mudança de trajetória.
Entre janeiro e junho, o preço médio ficou em R$ 2,03 por litro, valor 12,12% inferior ao registrado no mesmo período de 2025.
A comparação ganha peso porque o primeiro semestre do ano passado havia alcançado o maior preço da série histórica para o período, iniciada em 2015.
Agora, o comportamento da oferta começa a colocar outra variável no centro da equação.
Menos leite disponível
Entre janeiro e junho, o Índice de Captação de Leite de Mato Grosso (ICAP-L) registrou média de 45,66%, uma queda de 5,68 pontos percentuais em relação ao primeiro semestre de 2025.
Foi também o menor resultado da série histórica.
A perspectiva para os próximos meses é de uma oferta ainda mais restrita com o avanço da seca no estado. A redução das chuvas pode afetar a captação e aumentar a disputa das indústrias pela matéria-prima.
Esse movimento já começou a aparecer na remuneração.
O leite captado em junho e pago ao produtor em julho chegou a R$ 2,27 por litro, uma alta de 4,96% em relação ao valor registrado em maio.
O segundo semestre começa diferente
Os dados mostram, portanto, duas fotografias distintas do mercado.
De um lado, o primeiro semestre fechou com preço médio abaixo do registrado um ano antes. De outro, a combinação entre menor captação e perspectiva de oferta mais restrita começa a alterar o ambiente observado nos meses anteriores.
Com menos leite disponível, a concorrência entre as indústrias pode se intensificar. Esse movimento abre espaço para novos avanços na remuneração ao produtor nos próximos meses.
A reação registrada no pagamento de julho, depois da captação de junho, é o primeiro sinal dessa mudança no mercado mato-grossense.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por RMT






