ESPMEXENGBRAIND
23 set 2026
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Depois de décadas elevando a produtividade, a propriedade paulista enfrenta uma decisão que pode mudar seu próximo ciclo 📈
Colorado
Mais leite já não depende apenas do rebanho: a próxima etapa envolve território, escala e novas fontes de receita. 🔎

A Fazenda Colorado chegou ao limite de expansão dentro da propriedade de Araras, no interior de São Paulo, e a busca por uma nova área passou a fazer parte dos planos para o futuro.

A questão não é apenas aumentar o número de vacas: segundo Carlos Alberto Pasetti de Souza, proprietário da empresa, faltam espaço e recursos naturais, como água, para ampliar a produção no local atual.

A fazenda já trabalha em uma escala que coloca essa limitação em evidência. No ano passado, produziu em média cerca de 101,9 mil litros de leite por dia, com produtividade próxima de 43 litros por vaca/dia. Em períodos de maior produção, o volume chegou a 106 mil litros diários, com aproximadamente 2,4 mil vacas em lactação.

O desafio, portanto, não está em encontrar uma forma de elevar a produtividade dentro do sistema atual. A Colorado já combina genética, nutrição, biosseguridade e tecnologia em uma estrutura construída ao longo de mais de 58 anos de aprendizado.

O próprio Beto, como Carlos Alberto é conhecido, resume o ponto de inflexão: não há mais espaço para crescer em produção dentro da área atual.

Quando produzir mais exige sair da propriedade

A estrutura ajuda a entender por que o crescimento encontrou uma barreira física. A Colorado ocupa 1,7 mil hectares, e o maior de seus galpões tem aproximadamente 220 metros de comprimento por 110 metros de largura, abrigando cerca de 2,4 mil animais em lactação.

As instalações foram projetadas para favorecer alimentação, manejo, acompanhamento individual e conforto dos animais. Aumentar o rebanho sem ampliar a estrutura significaria pressionar justamente os recursos que sustentam a produtividade.

É nesse ponto que a escala ganha outro significado.

Para Beto, não se trata simplesmente de colocar mais animais no sistema, mas de combinar volume, produtividade, controle de custos e capacidade de diluir investimentos em tecnologia e infraestrutura.

A propriedade, que durante 12 anos consecutivos foi a maior produtora de leite do país, perdeu essa posição no ranking Top 100 de 2026, elaborado pelo MilkPoint em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite).

Mesmo assim, o desempenho permanece associado a uma produção elevada sem que a Colorado tenha o maior rebanho em lactação.

O crescimento também passou para fora do estábulo

Enquanto uma nova propriedade não se concretiza, parte da estratégia de expansão acontece por outras vias.

A Colorado ampliou a industrialização e diversificou o portfólio de lácteos comercializado sob a marca Xandô. A linha inclui leite tipo A integral, semidesnatado e desnatado, leite A2, queijos e iogurtes.

A lógica é aproveitar uma matéria-prima produzida em escala e agregar valor por meio do processamento. Mas, na visão de Beto, uma coisa não substitui a outra: produtos de maior valor agregado não eliminam a necessidade de escala.

Essa combinação também aparece em outro negócio que ganhou espaço na fazenda: a venda de novilhas.

A Colorado comercializa cerca de 500 animais por ano, principalmente para produtores de Minas Gerais e, mais recentemente, também para compradores do Nordeste. Com valor médio próximo de R$ 18 mil por animal, a atividade movimenta aproximadamente R$ 9 milhões por ano e já representa quase 10% do negócio da fazenda.

Ou seja, quando a expansão do rebanho encontra limites dentro das próprias porteiras, a genética se transforma em uma maneira de levar parte desse potencial para outras propriedades.

Uma fazenda maior não é necessariamente o objetivo

Apesar da discussão sobre escala, Beto afirma que seu objetivo não é simplesmente produzir mais do que todos os demais.

A prioridade declarada é consolidar um sistema baseado em eficiência, qualidade e sustentabilidade, incluindo uma agenda ambiental voltada a práticas regenerativas.

A busca por escala aparece, nesse cenário, como uma questão de competitividade. Beto avalia que a concentração da produção leiteira brasileira tende a avançar, com um número menor de produtores mais eficientes.

O movimento já aparece nos dados apresentados na reportagem: as 100 propriedades que lideram o ranking nacional representam aproximadamente 0,01% do universo de quase 1 milhão de produtores e respondem por 4,7% de todo o leite produzido no Brasil.

Para a Colorado, o próximo passo não está definido apenas pela quantidade de litros que ainda pode produzir. A questão é onde colocar esse crescimento e quais negócios podem capturar valor quando a propriedade atual já chegou ao seu limite físico.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por AgFeed

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