No Paraná, uma vaca deixou de ser apenas fonte de leite para virar, também, fonte de crédito. O monitoramento das vacas leiteiras da Fazenda Frank’Anna, em Carambeí, alimenta hoje dois sistemas ao mesmo tempo:
Im QR Code que o consumidor escaneia no rótulo do queijo Dutch Lady para conferir o bem-estar do rebanho, e um mecanismo financeiro que permite ao produtor acessar linhas de crédito bancário usando a saúde comprovada dos animais como garantia — sem precisar penhorar terras ou maquinário.
A tecnologia é da Cowmed, startup brasileira especializada em monitoramento inteligente de rebanhos, que batizou a iniciativa de Selo Vacas Felizes.
Colares equipados com sensores acompanham 24 horas por dia a saúde geral, o conforto e o hábito de ruminação de cada animal, cruzando esses dados com as chamadas cinco liberdades do bem-estar animal: acesso a água e alimento, ausência de dor e doença, espaço para comportamentos naturais e proteção contra medo e ansiedade.
É essa auditoria contínua que, segundo Thiago Martins, CEO e cofundador da Cowmed, viabilizou a tokenização do rebanho — a possibilidade de transformar a existência, localização e estado de saúde comprovados dos animais em lastro para operações de crédito.
“A nossa tecnologia permite à cadeia produtiva comunicar e comprovar essa realidade ao consumidor final”, afirma Martins, referindo-se ao alto nível de bem-estar que, segundo ele, já é padrão na maioria das fazendas atendidas pela empresa.
Do lado da fazenda, o retorno aparece na qualidade do leite. Maurício Greidanus, representante da Frank’Anna, resume a lógica: vaca saudável, bem alimentada e com baixo estresse tende a produzir leite mais consistente — condição que considera fundamental para o queijo artesanal que a propriedade fabrica desde que iniciou a atividade leiteira, em 1989.
Hoje a fazenda mantém 1.250 vacas em lactação e produz cerca de 53 mil litros de leite por dia, com práticas como reaproveitamento de dejetos para fertirrigação e uso de fibra sólida na cama dos animais.
O pacote tecnológico não para no colar. A Cowmed atualizou sua assistente virtual VIC, lançada em 2019, para operar com modelos de linguagem de grande porte: o produtor agora conversa por voz ou texto com a ferramenta e recebe diagnósticos preventivos sem precisar interpretar planilhas.
Câmeras com visão computacional instaladas nos cochos completam o sistema, monitorando oferta de ração e frequência de alimentação para evitar desperdício e estabilizar a curva de produção.
A escala do negócio já é nacional. A Cowmed monitora mais de 100 mil vacas em mais de mil fazendas no Brasil, com operação também em outros países da América do Sul e na América do Norte.
Para Martins, o objetivo por trás de todo o sistema — do QR Code ao crédito — é dar ao produtor “a inteligência necessária para a tomada de decisões rápidas no curral”, com reflexo direto em eficiência de manejo, produtividade do rebanho e rentabilidade da fazenda.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por BRA 1






