Trinta queijos artesanais certificados parecem muita coisa, até alguém olhar quem os produz: são apenas quatro estabelecimentos.
É essa a conta que o Cadastro Nacional de Produtos Artesanais (CNPA), do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), mostra para a Paraíba, em levantamento do Paraíba Business com dados atualizados em 14 de setembro de 2026. Todos os registros permitem vender em qualquer ponto do território nacional.
Os produtores estão em Soledade, Barra de São Miguel, Sumé e Taperoá, no Cariri e na Serra paraibana. Na prática, o selo tira o produtor regularizado do limite do próprio município ou estado e o coloca para disputar consumidores no país inteiro. Pelo cadastro, 17 registros são do Selo Queijo Artesanal e 13 do Selo ARTE.
Os 17 do primeiro grupo pertencem à Agro Maracajá, marca Caprinno, de Soledade, todos vinculados ao Serviço de Inspeção Municipal. São feitos com leite de cabra e de vaca, em versões com cumaru, ervas finas, orégano, maturadas, marinadas e zero lactose. Os 13 do Selo ARTE se dividem entre três produtores e são quase todos de leite de cabra, com um único queijo de vaca, o Serra do Pico, da Fazenda Carnaúba, de Taperoá.
O caso de Sumé é o que mais conversa com o debate no Ceará. A Agubel tem cinco registros ativos, todos variações do queijo de coalho de leite de cabra: tradicional, orégano, pimenta calabresa, alecrim e canela, concedidos em 2026. É o mesmo tipo de produto que o Ceará tenta formalizar em maior escala, segundo reportagem do MilkPoint sobre a cadeia leiteira cearense.
O tamanho do desafio cearense ajuda a medir a distância. O estado, segundo maior polo leiteiro do Nordeste, tem mais de 100 mil produtores de leite e Valor Bruto da Produção de R$ 2,32 bilhões no setor, mais de 20% de toda a produção agropecuária local. Ainda assim, a mesma reportagem afirma que a grande maioria das queijarias artesanais do sertão cearense tem autorização limitada ao comércio local ou atua na informalidade.
No cadastro do MAPA, o Ceará aparece com cinco queijos no Selo ARTE, todos de um mesmo estabelecimento de Limoeiro do Norte: um de coalho e quatro maturados. Não há registro ativo do estado no Selo Queijo Artesanal. Considerando só essas duas certificações de alcance nacional, são 30 registros paraibanos contra cinco cearenses.
A comparação tem limite. Os números não captam toda a produção de queijo dos dois estados, nem todas as empresas autorizadas a vender fora de suas fronteiras. O Serviço de Inspeção Federal e os sistemas de equivalência sanitária entre estados são outros caminhos de formalização e ficam fora dessa contagem.
Há ainda o que o cadastro não diz sobre a Paraíba. Ele não informa quanto os quatro produtores passaram a vender depois da certificação, quanto recebem pelo produto, quantos empregos estão ligados a eles, quais estados recebem os queijos, nem que parcela do leite caprino e bovino do estado vira queijo artesanal certificado. Nenhuma fonte oficial publicou esses números, e são eles que mostram se o selo virou expansão econômica ou apenas habilitação regulatória.
Por isso, o próximo passo é mapear o que está fora do cadastro: quantas queijarias operam no estado, como se divide a produção entre leite bovino e caprino, quais municípios concentram a atividade e que fatia do leite do interior é vendida como matéria-prima ou vira produto de maior valor, como queijos, manteigas e doces. Parte da produção do Cariri deixou de depender só do mercado local e já pode disputar consumidores em qualquer estado. Falta saber quanto dessa permissão virou venda.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Paraíba Business






