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2 out 2026
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Cadernos e planilhas dão lugar a um algoritmo numa fazenda mineira que quer liderar o leite A2A2 no país 🥛
vaca
Um casal deixou as telecomunicações, montou uma fazenda do zero e entregou a um algoritmo a decisão de quem cruza com quem🐄

Escolher o touro certo para cada vaca costuma ser trabalho manual, feito em planilhas ou cadernos.

Em Cachoeira de Minas, uma fazenda estruturada do zero há quatro anos entregou essa decisão a um algoritmo. A aposta do casal que a comanda é que a genética leiteira, e não o tamanho do rebanho, vai definir quem lidera a produção de leite A2A2 no país.

O programa foi desenvolvido por Arnon Belluzzi, de 34 anos, que atua como gestor no setor de tecnologia desde os 17. Para cada vaca, o sistema analisa cerca de 70 indicadores genômicos e os cruza com catálogos internacionais de touros. Identifica o que o animal precisa melhorar, seja a produção de leite A2A2, a saúde ou os índices reprodutivos, e busca o doador com o perfil complementar mais adequado.

Maria Paula Belluzzi, sócia de Arnon, resume a lógica sem rodeios: em grandes rebanhos, o volume de dados é humanamente impossível de processar. Por isso a ferramenta ganhou o apelido de “Tinder bovino”. A tese que sustenta o projeto vai na mesma direção. Para ela, o futuro não é de quem tem o maior rebanho, mas de quem tem a melhor genética, porque animais superiores permitem produzir o mesmo volume de leite com menos vacas.

A fazenda é a segunda vida profissional do casal. Ambos vieram das telecomunicações no Sul de Minas e chegaram a avaliar o plantio de mogno, mas migraram para o leite em busca de maior rentabilidade por metro quadrado. Em 2026, com a infraestrutura concluída e a empresa de telecomunicações vendida de vez, passaram a se dedicar exclusivamente à atividade leiteira.

O software já trabalhou na prática. Foi usado para selecionar o rebanho inicial, formado por 106 novilhas prenhas de alta linhagem compradas de grandes produtoras do país. Hoje, a Fazenda Belluzzi tem 105 animais adultos e cerca de 45 bezerros recém-nascidos. Para acelerar o crescimento do plantel principal, o casal usa gado de corte como receptor de embriões de vacas de leite.

A automação segue o mesmo raciocínio de ganho de escala sem depender de gente, num campo onde, segundo Maria Paula, a mão de obra está escassa. Três vezes por dia, um sistema de flush lava as pistas do galpão e leva o esterco embora. A fração líquida vai para a fertirrigação das lavouras de milho que alimentam o rebanho, no lugar de adubo químico. A sólida será processada em biogás, convertido em energia para complementar a usina solar da propriedade.

As metas têm dois horizontes. Em três anos, o casal quer chegar a 25 mil litros diários de leite A2A2, com cerca de 520 vacas em lactação e 1.000 cabeças no total, o limite físico da propriedade atual. Em dez anos, a ideia é comprar áreas em outros estados, como no Nordeste, para produzir entre 100 mil e 150 mil litros por dia e vender genética de elite ao mercado nacional.

Há ainda um terceiro movimento: diante do interesse de outros pecuaristas, o casal planeja comercializar o software para produtores de leite e de outras cadeias da pecuária. O objetivo declarado por Maria Paula é ajudar outros produtores a alcançar uma genética de elite, para que o Brasil seja reconhecido como o maior produtor de leite do mundo.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Rádio Itatiaia 

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