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3 out 2026
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Quem vê pela primeira vez estranha, mas a abertura tem uma razão científica e um destino bem definido para o animal depois da cirurgia 🐄
fístula ruminal
Ela tem tampa, exige um animal calmo e pode durar anos. Veja como funciona um dos recursos mais intrigantes da pesquisa com bovinos.

A fístula ruminal causa estranhamento à primeira vista: uma abertura na lateral do corpo da vaca.

Mas, segundo a Embrapa Gado de Leite, ela cumpre uma função específica e importante, que é permitir acompanhar de perto o que acontece no sistema digestivo dos bovinos em pesquisas sobre digestão e aproveitamento dos alimentos.

A técnica cirúrgica é usada há décadas. Uma cânula é instalada na parede abdominal e dá acesso direto ao rúmen, o maior dos quatro compartimentos do estômago (os outros são o retículo, o omaso e o abomaso). Depois que a vaca se recupera, coletas e outros procedimentos passam a exigir mínima intervenção.

Esse é o principal ganho para os pesquisadores. A cânula evita a necessidade de procedimentos invasivos e repetidos, como a passagem de uma sonda pelo esôfago. Para os pesquisadores Mirton José Frota Morenz, João Paulo Pacheco Rodrigues e Bruno Campos de Carvalho, a finalidade é “estabelecer um acesso de longa duração” para acompanhar de forma sistemática o ambiente ruminal.

Na prática, é possível retirar do rúmen tanto a fração líquida quanto partículas sólidas de alimentos em diferentes estágios de digestão. Também dá para introduzir amostras e avaliar como ocorre a degradação durante o processo digestivo.

Segundo os pesquisadores, o acesso permite estudar fermentação e microbiota, avaliar alimentos e aditivos e monitorar alterações do rúmen em diferentes momentos do dia ou em resposta a diferentes tratamentos. Esse trabalho contribui para a elaboração de dietas e para o desenvolvimento de sistemas de produção.

A abertura, porém, não fica exposta o tempo todo. A cânula é feita de materiais flexíveis e biocompatíveis e é implantada na fossa paralombar esquerda, região escolhida porque o rúmen ocupa grande parte desse lado da cavidade abdominal. Ela tem uma tampa, aberta apenas para introduzir ou retirar amostras de alimentos. No restante do tempo, o acesso fica vedado e o animal mantém as atividades normais.

Nem toda vaca entra no programa. Os animais passam por uma avaliação criteriosa: devem ser saudáveis, ter bom temperamento e condições de permanecer por um longo período no experimento. O rigor tem uma razão prática, já que eles podem ser utilizados durante vários anos.

Depois da completa cicatrização e na ausência de complicações, o animal pode continuar integrado ao rebanho. A critério do responsável técnico, e de acordo com as condições do animal e os protocolos aplicáveis, também pode permanecer em produção e reprodução, como ocorre com as vacas leiteiras.

O uso da fístula ruminal em pesquisas é regulamentado no Brasil pela lei nº 11.794/2008, pelas normas do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA) e pela Diretriz Brasileira para o Cuidado e a Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou de Pesquisa Científica (DBCA).

As instituições envolvidas precisam ser credenciadas e contar com uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA). Todas as etapas, da implantação da cânula, com anestesia e analgesia, à recuperação pós-operatória, manutenção, alojamento, manejo e utilização experimental, devem estar previstas em protocolos submetidos à avaliação e autorização da comissão.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Globo Rural

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