A Chobani, associada nos Estados Unidos ao iogurte grego, escolheu para sua próxima fase um endereço que diz tanto quanto o valor investido:
Um complexo de 1,5 milhão de pés quadrados em Allentown, na Pensilvânia, perto de centenas de fazendas leiteiras. São US$ 1,2 bilhão para adquirir e ampliar a planta, que deve sustentar o avanço da empresa em lácteos, café e alimentos prontos para consumo.
A empresa diz crescer rápido e afirma que ampliar a capacidade fabril e ganhar flexibilidade é o que permitirá manter essa trajetória. Além da proximidade com os produtores, a unidade fica perto de grandes mercados e oferece mão de obra industrial. Allentown também está geograficamente próxima da fábrica da La Colombe, em Michigan, e o conjunto dá à Chobani uma rede resiliente de suprimento, produção e distribuição em pleno coração leiteiro dos EUA.
O porta-voz da companhia foi direto sobre o motivo: os dois estados têm centenas de fazendas que fornecerão leite de alta qualidade, essencial tanto para os produtos da Chobani quanto para os da La Colombe. Os condados de Lehigh, na Pensilvânia, e Muskegon, em Michigan, entram na conta por reunir talento industrial, infraestrutura e recursos comunitários que ajudam a operação e a inovação.
O café é a aposta de mais longo prazo. A empresa vê uma categoria global de US$ 100 bilhões e diz que a La Colombe cresce mais de 30% ao ano no café pronto para beber, com força entre a geração Z e os millennials, cada vez mais inclinados ao café frio. Segundo a Chobani, a marca saiu na frente há mais de uma década, quando levou o Draft Latte às torneiras das cafeterias, antes de transformá-lo em produto de varejo.
A vitrine já vinha se ampliando. A Chobani entrou nos cremes líquidos para café e no café gelado, este último pela compra da La Colombe. Os “flavour drops”, sabores de edição limitada vendidos por apenas um mês, despertaram o interesse dos consumidores mais jovens. A aquisição da Daily Harvest, especializada em refeições prontas nutritivas, abriu ainda uma categoria inteiramente nova.
Nas categorias tradicionais, a demanda também ajuda. O interesse persistente por dietas ricas em proteína e a maior adesão aos medicamentos GLP-1 para perda de peso sustentaram as vendas, sobretudo de iogurte. A empresa diz ver procura firme por produtos naturais, densos em nutrientes e ricos em proteína, em formatos práticos que cabem na rotina.
O caminho, porém, não é livre. No café, a Chobani enfrenta Nestlé e Danone, e a disputa já chegou à Justiça: a Danone processa a empresa por suposta imitação da aparência do seu produto SToK. Com a demanda por proteína e café resistindo, a competição tende a ser mais uma maratona do que uma corrida de velocidade.
Para a Chobani, o futuro do alimento será moldado por produtos que entreguem nutrição, ingredientes de qualidade e sabor, e acima de tudo simplicidade, em formatos que possam ser consumidos ao longo do dia. O pipeline de inovação passa por lácteos, café e alimentos naturais prontos para consumo. Para quem produz e processa leite, o recado é que, mesmo quando o rótulo muda de iogurte para café, a conta continua começando na fazenda.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Dairy Reporter






