O leite A2, obtido a partir de vacas com genótipo A2A2, contém apenas a beta-caseína A2, cuja digestão libera menos BCM-7 e pode amenizar desconfortos como gases e estufamento em pessoas sensíveis à proteína A1.
No entanto, seu valor nutricional é semelhante ao do leite convencional. O produto não é indicado para pessoas com intolerância à lactose ou alergia à proteína do leite de vaca (APLV), pois continua contendo lactose e caseínas. Sem superioridade nutricional comprovada para a população geral, seu consumo deve considerar as necessidades individuais e a orientação de um profissional de saúde.
O leite A2 ganhou espaço entre pessoas que sentem desconforto após consumir leite convencional. A diferença está em uma das proteínas presentes na bebida, e compreender essa característica ajuda a fazer escolhas mais adequadas.
Segundo a nutricionista Adriana Stavro, mestre pelo Centro Universitário São Camilo, a distinção começa na composição proteica do leite.
Proteínas do leite: o que muda?
As proteínas do leite são divididas em dois grandes grupos: caseínas e proteínas do soro, conhecidas como whey protein. As caseínas representam cerca de 80% do conteúdo proteico.
Entre elas está a beta-caseína, que apresenta diferentes variantes, principalmente A1 e A2. Enquanto o leite convencional pode conter as duas frações, o leite A2 contém exclusivamente a variante A2.
A diferença está relacionada à genética dos animais. Vacas com genótipo A2A2 produzem leite com apenas essa variante da beta-caseína. Segundo a nutricionista, não se trata de animais geneticamente modificados, mas de uma seleção genética natural.
Como as proteínas A1 e A2 afetam a digestão?
Algumas pessoas relatam dificuldade para digerir a beta-caseína A1, com sintomas como distensão abdominal, gases, alterações intestinais e má digestão. Essas manifestações podem ser confundidas com os sintomas da intolerância à lactose, embora sejam condições diferentes.
A distinção entre as duas proteínas está em um único aminoácido. Na posição 67 da cadeia, a beta-caseína A1 apresenta histidina, enquanto a A2 contém prolina.
Essa diferença pode influenciar a liberação da beta-casomorfina-7 (BCM-7), um peptídeo bioativo associado a alterações na motilidade intestinal e a sintomas gastrointestinais. Durante a digestão, a beta-caseína A2 libera menos BCM-7.
Por isso, pessoas que sentem gases ou estufamento após consumir leite convencional, mas não apresentam intolerância à lactose, podem perceber melhora ao experimentar a versão A2.
A variante A1 foi identificada, até o momento, apenas em bovinos. Essa característica também ajuda a explicar por que algumas pessoas relatam melhor tolerância ao leite de cabra, ovelha ou búfala.
Leite A2 não é leite sem lactose
Apesar da possível melhora dos sintomas em determinados consumidores, o leite A2 não elimina todos os problemas relacionados ao consumo de leite.
Há três diferenças importantes:
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Intolerância à lactose: o problema está na digestão da lactose, o açúcar do leite, devido à redução da atividade da enzima lactase. O leite A2 continua contendo lactose.
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Alergia à proteína do leite de vaca (APLV): é uma reação imunológica que pode envolver proteínas como a caseína. Como o leite A2 continua contendo proteínas lácteas, não é uma alternativa adequada para quem apresenta essa alergia.
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Sensibilidade não alérgica à caseína: pode provocar desconfortos digestivos e sintomas inespecíficos sem o mecanismo imunológico característico das alergias.
O leite A2 também não substitui o tratamento ou o acompanhamento profissional da intolerância à lactose.
O leite A2 é mais saudável?
Não há evidências consistentes de superioridade nutricional do leite A2 para a população em geral. Seu perfil nutricional é semelhante ao do leite convencional, com proteínas, cálcio, vitaminas e minerais.
Também não existe, até o momento, um exame laboratorial validado e amplamente aceito para diagnosticar sensibilidade à caseína. A avaliação é clínica e deve ser conduzida por um profissional de saúde, considerando o histórico do paciente, a exclusão de outras condições e a resposta à retirada e à reintrodução do leite na alimentação.
Nem todo desconforto após consumir leite está relacionado à lactose, assim como nem todas as pessoas precisam substituir o leite convencional pelo A2. A escolha deve considerar a resposta individual e, diante de sintomas persistentes, a investigação por um profissional de saúde.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Terra






