A cadeia leiteira ganhou força no Rio Grande do Norte em 2025.
Dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o estado produziu 440,2 milhões de litros de leite ao longo do ano, resultado 11,6% superior aos 394,5 milhões de litros registrados em 2024.
O avanço colocou o Rio Grande do Norte na 14ª posição do ranking nacional e no sexto lugar entre os estados nordestinos. Em valores, a produção de leite potiguar movimentou mais de R$ 1,11 bilhão em 2025.
A atividade está presente nos 167 municípios do estado. Além de representar uma importante fonte de renda para produtores rurais, a pecuária leiteira tem peso significativo na economia agropecuária e na geração de trabalho no interior.
Caicó lidera produção de leite entre os municípios potiguares
Caicó foi o município que mais se destacou na produção leiteira do Rio Grande do Norte em 2025. A cidade produziu 39,38 milhões de litros e também liderou o ranking pelo valor gerado, com R$ 94,51 milhões.
Jardim de Piranhas aparece na segunda colocação em volume, com 22,14 milhões de litros produzidos e um valor de R$ 50,92 milhões. Jucurutu vem logo depois, com 20,82 milhões de litros e R$ 47,88 milhões.
Nova Cruz, por sua vez, produziu 13,50 milhões de litros, mas apresentou um dos maiores valores de produção entre os municípios potiguares, alcançando R$ 67,50 milhões.
O ranking dos dez municípios que mais produziram leite no estado em 2025 é formado por:
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Caicó: 39,382 milhões de litros
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Jardim de Piranhas: 22,140 milhões de litros
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Jucurutu: 20,820 milhões de litros
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Nova Cruz: 13,500 milhões de litros
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São João do Sabugi: 13,432 milhões de litros
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Cruzeta: 12,554 milhões de litros
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Ouro Branco: 12,236 milhões de litros
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Santana do Matos: 11,995 milhões de litros
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Mossoró: 11,869 milhões de litros
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Jardim do Seridó: 11,384 milhões de litros
Os números mostram que a produção está distribuída por diferentes regiões do estado, com presença importante tanto no Seridó quanto em outras áreas do território potiguar.
Leite representa 51,15% do valor dos produtos de origem animal
A importância da pecuária leiteira também aparece na comparação com os demais produtos de origem animal. Segundo a PPM, o leite respondeu por 51,15% do valor total movimentado pelo segmento no Rio Grande do Norte em 2025.
Somadas todas as atividades, o setor de produtos de origem animal alcançou R$ 2,18 bilhões em valor de produção. O montante representa crescimento nominal de 17,52% em comparação com os R$ 1,85 bilhão registrados no ano anterior.
Depois do leite, a produção de ovos de galinha foi responsável por 47,79% desse resultado. O mel de abelha representou 0,82%, enquanto os ovos de codorna responderam por 0,24%.
Para o secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape-RN), Guilherme Saldanha, a cadeia leiteira tem impacto que vai além dos números registrados nas estatísticas de produção.
Segundo ele, a pecuária leiteira gera emprego e renda para mais de 40 mil pessoas no Rio Grande do Norte, considerando os trabalhadores diretamente envolvidos com a atividade e as pessoas beneficiadas economicamente pela cadeia.
Assistência técnica contribui para o avanço da atividade
Embora o aumento da produção tenha múltiplas causas, entidades ligadas ao setor apontam a assistência técnica e a melhoria da gestão das propriedades como elementos importantes para o desempenho registrado em 2025.
Na avaliação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RN), o crescimento pode estar relacionado à ampliação da base produtiva e aos ganhos de produtividade alcançados pelos produtores.
Outros fatores também interferem no resultado, como as condições climáticas, a oferta de alimentos para o rebanho, os preços pagos aos produtores, os investimentos realizados nos últimos anos e a capacidade de manter e repor matrizes.
A experiência das propriedades acompanhadas pelo Senar mostra que mudanças na administração da produção podem alterar significativamente os resultados financeiros dos produtores.
Propriedades passam de prejuízo a lucro após acompanhamento
Um estudo realizado a partir do trabalho de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Senar-RN avaliou pequenas e médias propriedades leiteiras do estado e identificou uma mudança significativa no resultado médio por animal.
Antes da adoção das práticas de assistência e gestão, o prejuízo médio era de R$ 20,69 por vaca. Após o acompanhamento, o resultado passou para um lucro médio de R$ 56,71 por animal.
A pesquisa acompanhou 172 propriedades durante 24 meses, em 35 municípios do Rio Grande do Norte. O período analisado foi de agosto de 2020 a julho de 2022.
De acordo com o levantamento, o lucro médio das propriedades aumentou 75,2%, enquanto as receitas tiveram crescimento de 48,99%. O estudo também identificou mudanças na estrutura de custos das propriedades acompanhadas.
Um dos exemplos está na alimentação concentrada. As despesas médias com esse item caíram de R$ 380.694 para R$ 333.477 durante o período avaliado.
O trabalho foi publicado na revista Agropecuária Científica no Semiárido e apontou outros efeitos da assistência técnica, como a redução do trabalho e da necessidade de mão de obra a partir da utilização de animais mais eficientes.
Também foram observados avanços na produção de forragens e impactos sociais positivos na rotina das famílias que vivem da atividade rural.
ATeG atende produtores em 161 municípios do RN
O modelo de Assistência Técnica e Gerencial utilizado pelo Senar combina acompanhamento técnico da produção com ferramentas de gestão. No Rio Grande do Norte, a metodologia está presente atualmente em 161 municípios.
Ao todo, aproximadamente 4.473 produtores rurais são atendidos pela iniciativa no estado. O trabalho ganha importância principalmente em períodos de dificuldades climáticas, quando a produção agropecuária sofre com a redução da oferta de água e alimentos para os animais.
“Mesmo nos anos de seca, quando o setor agropecuário como um todo fica prejudicado, o trabalho de ATeG se torna essencial para amenizar os efeitos que o clima provoca nas produções, tornando a dificuldade ainda menor”, aponta o Senar-RN.
A entidade considera que o acompanhamento técnico pode ajudar o produtor a tomar decisões mais adequadas mesmo diante de períodos adversos.
Gestão ajuda produtores a controlar custos e melhorar decisões
O impacto da assistência técnica não está restrito ao aumento da produção física. Para Luís Felipe, analista técnico do Sebrae-RN, uma das principais mudanças ocorre quando o produtor passa a conhecer detalhadamente os custos e os indicadores da própria propriedade.
“Não se trata apenas de aumentar a quantidade de leite produzido, e sim de o produtor conhecer melhor seus custos, acompanhar seus indicadores, planejar a propriedade e tomar melhores decisões”, explica.
A avaliação é de que a combinação entre conhecimento técnico e gestão permite identificar desperdícios, reorganizar os processos produtivos e melhorar a utilização dos recursos disponíveis na propriedade.
Nesse contexto, o Sebrae-RN também desenvolve iniciativas voltadas à integração dos diferentes segmentos que participam da cadeia leiteira no estado.
Hub do Leite aproxima produtores, indústria e universidades
Uma dessas iniciativas é o Hub do Leite, criado em 2026 com a proposta de conectar produtores aos demais setores ligados à cadeia produtiva e ao ambiente acadêmico.
A iniciativa reúne diferentes atores envolvidos com o desenvolvimento da atividade, incluindo produtores, indústrias, universidades, pesquisadores, estudantes, técnicos e instituições como Sebrae e Senar.
“Temos produtores, indústrias, universidades, pesquisadores, estudantes, técnicos e instituições como Sebrae e Senar”, explica Luís Felipe.
Para o analista, a aproximação entre esses segmentos pode contribuir para acelerar a adoção de novas tecnologias e práticas de produção.
Ele considera a assistência técnica uma das ferramentas mais importantes para aumentar a eficiência das cadeias produtivas do agronegócio.
“Quando os técnicos entram em uma propriedade e começam a trabalhar alimentação, genética, reprodução, qualidade do leite e gestão, muitas vezes conseguimos evoluir significativamente”, afirma.
Governo cita medidas para apoiar a produção leiteira
O crescimento da produção também é associado pelo Governo do Estado a medidas adotadas nos últimos anos para estimular a atividade leiteira.
Segundo Guilherme Saldanha, a atuação estadual envolve ações de regulamentação, incentivos tributários e programas destinados a garantir melhores condições para a produção rural.
“O Estado, nesses últimos sete anos, tem feito ações desde regulamentação, questões fiscais de redução e isenção de impostos e programas como distribuição de palma forrageira de graça para os produtores”, afirma o secretário.
A palma forrageira é utilizada como alternativa de alimentação dos rebanhos, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelos produtores em períodos de estiagem.
Baixa produtividade por vaca ainda preocupa o setor
Apesar do crescimento registrado pelo IBGE, representantes da cadeia produtiva avaliam que o Rio Grande do Norte ainda enfrenta desafios importantes para aumentar a eficiência da produção.
Um dos principais pontos levantados é a produtividade média por vaca em lactação. Segundo Túlio Veras, presidente do Sindicato das Indústrias de Leite e Produtos Derivados do RN (Sindleite-RN), mais de 22 mil unidades produzem leite no estado.
O desafio, segundo ele, está no rendimento médio dos animais. Enquanto a produtividade brasileira é de aproximadamente 2.560 litros por vaca em lactação, no Rio Grande do Norte o índice fica em torno de 1.520 litros.
Para melhorar esse desempenho, o setor defende investimentos em tecnologia, infraestrutura e planejamento da alimentação dos rebanhos.
Planejamento forrageiro é apontado como prioridade
Túlio Veras também chama a atenção para a necessidade de o estado se preparar para os efeitos das condições climáticas sobre a produção. Para ele, um planejamento forrageiro estadual poderia ajudar a reduzir os impactos de períodos de menor disponibilidade de água.
“Há necessidade da implantação de um planejamento forrageiro para o estado. Temos um El Niño atuando fortemente e já se veem seus impactos […] Precisamos otimizar o uso das águas, para produzir alimentos para não termos baixa nos rebanhos”, afirma.
A preocupação está diretamente relacionada à manutenção dos animais e à capacidade dos produtores de garantir alimentação durante períodos de estiagem ou de condições climáticas desfavoráveis.
Além do planejamento alimentar, o presidente do Sindleite-RN defende a modernização das propriedades.
“Inovar é preciso. Implantar ordenha mecânica e tanques de resfriamento de leite é necessário”, aponta.
RN é o sexto maior produtor de leite do Nordeste
Com 440,261 milhões de litros produzidos em 2025, o Rio Grande do Norte ficou na sexta posição entre os estados nordestinos. Pernambuco liderou a produção regional, seguido por Ceará e Bahia.
O ranking regional ficou assim:
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Pernambuco: 1,529 bilhão de litros
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Ceará: 1,298 bilhão de litros
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Bahia: 1,229 bilhão de litros
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Sergipe: 701,328 milhões de litros
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Alagoas: 579,766 milhões de litros
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Rio Grande do Norte: 440,261 milhões de litros
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Maranhão: 412,160 milhões de litros
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Paraíba: 358,398 milhões de litros
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Piauí: 71,003 milhões de litros
Em todo o Brasil, a produção alcançou 36,68 bilhões de litros em 2025.
O resultado potiguar combina expansão do volume produzido com um impacto econômico superior a R$ 1,1 bilhão e reforça a importância da pecuária leiteira para a geração de renda no interior do estado.
Ao mesmo tempo, os dados e as avaliações dos representantes do setor apontam que o próximo desafio é transformar o crescimento da produção em ganhos ainda maiores de produtividade, com melhoria da gestão, assistência técnica, tecnologia, alimentação adequada para os rebanhos e investimentos nas propriedades.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Bnews RN






