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16 out 2026
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Para o mercado de consumo e varejo, a grande questão é entender se 2027 será mais um ano de crescimento limitado ou o início de um ambiente mais favorável para empresas e consumidores.
O Mapa da Inadimplência da Serasa trouxe um sinal importante em agosto.
O Mapa da Inadimplência da Serasa trouxe um sinal importante em agosto.

O Brasil chega ao final de 2026 diante de um cenário econômico desafiador que combina sinais de desaceleração da atividade, pressão sobre o orçamento das famílias e uma perspectiva de mudança na trajetória dos juros.

Para o mercado de consumo e varejo, a grande questão é entender se 2027 será mais um ano de crescimento limitado ou o início de um ambiente mais favorável para empresas e consumidores.

Os sinais ainda são contraditórios. O mercado de trabalho segue forte, mas o consumo não acompanha a mesma intensidade. O crédito ajudou a sustentar a atividade econômica, mas o endividamento e a inadimplência reduziram a capacidade de novas compras. Ao mesmo tempo, a inflação começa a dar sinais de alívio, abrindo espaço para uma possível redução de juros maior.

A inflação e os juros são pontos chave

Independentemente do viés político, o cenário das eleições abre espaço para uma revisão das expectativas econômicas. Uma condução fiscal mais previsível, combinada à redução das incertezas, pode favorecer a desaceleração da inflação e permitir uma queda mais significativa da taxa Selic ao longo de 2027.

Por outro lado, precisamos separar a expectativa da realidade, pois os dados o Boletim Focus, do Banco Central, ainda mostra um cenário complexo à frente. O relatório publicado em 9 de outubro apontou que o mercado projeta inflação de 5,22% em 2026 e de 4,30% em 2027, além de uma taxa Selic de 12% ao final de 2027.

 

Consumo em 2027: onde pode estar a virada? 4
Fonte: Boletim Focus do Banco Central, publicado em 09/10/2026

 

Embora a perspectiva de queda da inflação seja positiva, não podemos nos acostumar a conviver com índices próximos ao teto da meta. O objetivo de inflação do banco central é de 3%, que pode oscilar 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. A questão é que estamos batendo (ou superando) o teto da meta consistentemente nos últimos anos, fator que corrói o poder de compra das famílias brasileiras. Nos últimos 6 anos, por exemplo, os preços de alimentos subiram mais de 60%.

Uma Selic menor teria efeitos importantes para toda a cadeia de consumo. Para as empresas, significaria algum alívio nas despesas financeiras, melhores condições de financiamento e mais espaço para investimentos. Para os consumidores, poderia reduzir o custo do crédito e melhorar a capacidade de compra.

O mercado de trabalho continua forte, com taxa de desemprego de 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026 e 103,5 milhões de pessoas ocupadas. Mas, com o país próximo do pleno emprego, a criação de novos postos de trabalho tende a ter menos espaço para impulsionar o consumo em 2027. O desafio passa a ser melhorar a qualidade do emprego, com salários maiores, produtividade e maior estabilidade de renda. É um motor a menos para contar nos próximos anos, tornando a evolução da renda real ainda mais importante para sustentar o crescimento do consumo.

Entretanto, renda e emprego, isoladamente, não garantem expansão do consumo. Uma parcela relevante do dinheiro que chega às famílias já está comprometida com despesas básicas, dívidas e juros.

O Mapa da Inadimplência da Serasa trouxe um sinal importante em agosto. Pela primeira vez desde o início de 2025, o número de inadimplentes deixou de subir. O País registrou 83,9 milhões de pessoas negativadas, após 20 meses consecutivos de alta. Isso representa aproximadamente 51% da população adulta.

Consumo em 2027: onde pode estar a virada? 5

Esse é um primeiro sinal de estabilização, mas ainda muito distante de uma recuperação efetiva. O levantamento da M&C Capital, também com dados da Serasa, aponta R$ 586,5 bilhões em dívidas negativadas e saldo médio de R$ 6.987 por CPF inadimplente.

A interrupção do crescimento da inadimplência é positiva, mas não significa que as famílias recuperaram sua capacidade de consumo. Antes de ampliar os gastos, muitos brasileiros ainda precisarão reorganizar seus orçamentos e regularizar compromissos financeiros. Esse processo tende a ser gradual e depende tanto da evolução da renda quanto das condições de crédito.

A eventual proibição das bets pode abrir espaço para que parte dos recursos hoje destinados às apostas seja direcionada ao consumo ou à reorganização do orçamento familiar, contribuindo para a redução do endividamento e a recuperação do poder de compra.

No entanto, ainda é cedo para avaliar os possíveis impactos dessa medida, já que é preciso acompanhar os próximos passos no Congresso Nacional em relação à medida provisória e considerar a força do lobby do setor. Caso avance, a mudança poderá ter efeitos relevantes sobre a disponibilidade de renda das famílias, embora sua dimensão ainda não seja clara.

O consumo deve continuar crescendo, mas de forma desigual

As projeções reunidas pela Gouvêa Inteligência indicam crescimento real médio de 2,4% para o varejo em 2027. É um avanço, mas não representa uma retomada vigorosa, especialmente considerando os desafios financeiros que ainda afetam o consumidor.

A tendência é que categorias essenciais, como alimentos e farmácias, continuem apresentando maior resiliência. Já segmentos mais dependentes de compras discricionárias, como vestuário, calçados e bens duráveis, devem permanecer mais sensíveis ao custo do crédito e à renda disponível.

Para as empresas, isso significa que uma eventual melhora macroeconômica não será suficiente para garantir bons resultados. Será necessário entender onde o consumidor ainda tem capacidade de gastar, quais categorias conseguem conquistar prioridade no orçamento e como a proposta de valor pode se tornar mais competitiva.

O ano de 2027 pode representar uma mudança importante na direção da economia brasileira. A combinação de inflação em desaceleração, juros menores e estabilização da inadimplência poderia criar condições mais favoráveis para o consumo eos negócios.

O ponto central não é apenas se a economia vai melhorar, e sim a velocidade com que essa melhora chegará ao orçamento das famílias e aos resultados das empresas.

O Brasil tem espaço para construir um cenário mais positivo. A questão é transformar as expectativas em condições concretas para que empresas invistam, consumidores recuperem sua capacidade de compra e o crescimento do varejo volte a ser sustentado por uma demanda mais saudável.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Mercado & Consumo

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