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26 out 2026
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Da manutenção de incentivos ao leite aos custos logísticos, entidade mineira já tem a pauta que levará ao novo mandato.
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Novo presidente do Silemg, Yago Silveira, (foto) quer fortalecer a interlocução com o governo federal sobre os desafios do setor impostos pela reforma tributária. | Foto: Divulgação/ Silemg

A indústria de laticínios e produtos derivados de Minas Gerais deve encerrar 2026 com faturamento de R$ 44 bilhões, crescimento próximo de 5% em relação ao ano passado, e projeção para alcançar R$ 46,2 bilhões em 2027.

Com a reeleição do presidente Lula no segundo turno, no domingo (25), a cadeia produtiva pretende intensificar o diálogo com o governo federal para sustentar essa expansão. O objetivo é discutir os impactos da reforma tributária sobre o setor e a continuidade de programas de apoio aos produtores de leite.

A agenda está entre as prioridades do novo presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de Minas Gerais (Silemg), Yago Silveira, que assumiu a entidade para um mandato de três anos, até 2029, em substituição a Guilherme Abrantes.

Uma das principais preocupações do setor, segundo Silveira, está especialmente nos efeitos da substituição do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ambos os tributos serão extintos a partir de 1º de janeiro de 2027, no novo modelo tributário do País. Para o dirigente, ainda há dúvidas sobre como ficará a carga tributária das empresas e se haverá instrumentos para preservar os investimentos realizados na produção primária.

Atualmente, parte dos créditos tributários de PIS/Cofins é utilizada pelas indústrias para abater custos com insumos. Outra parcela, segundo Silveira, contribui para financiar ações de assistência técnica e melhoria da produção por meio do programa Mais Leite Saudável (PMMLS). A iniciativa do governo federal, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem o objetivo de impulsionar a cadeia produtiva do leite e elevar a qualidade do produto no Brasil.

“Uma dúvida é se, com o fim do PIS/Cofins, o setor vai ter outra contrapartida para que esse benefício continue sendo aplicado. A evolução de produtividade e de qualidade do leite por meio do programa Leite Saudável foi muito grande nos últimos anos”, diz Silveira.

Novo presidente do Silemg, Yago Silveira (foto), quer fortalecer a interlocução com o governo federal sobre os desafios do setor impostos pela reforma tributária. | Foto: Divulgação/Silemg

O dirigente também aponta incertezas sobre a alíquota que será aplicada ao setor no novo sistema, após a substituição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A definição das regras e a avaliação dos efeitos sobre os custos de produção, segundo o presidente, serão fundamentais para que as empresas se adaptem ao novo cenário.

Minas projeta superar 11 bilhões de litros de leite em 2027

Além da questão tributária, a nova gestão do Silemg também pretende concentrar esforços no aumento da competitividade dos produtos mineiros, diante da concorrência com outras regiões do País e do avanço das importações.

A expectativa, segundo Silveira, é que Minas Gerais feche este ano com produção próxima de 10,8 bilhões de litros de leite e ultrapasse a marca de 11 bilhões de litros em 2027. Em 2025, o Estado se destacou como o maior produtor do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 10,1 bilhões de litros. O valor representa 27,5% do total produzido em escala nacional (36,7 bilhões).

“Nosso foco na gestão será a competitividade dos nossos produtos. Apesar de sermos líderes em produção, hoje sofremos concorrência tanto de outros estados, com o Sul do País crescendo bastante, quanto, principalmente, da importação de leite”, afirma.

Ainda segundo o novo dirigente, o fortalecimento do mercado interno deve preceder uma estratégia mais robusta de exportações, já que o consumo brasileiro continua absorvendo boa parte da produção.

Importações ampliam pressão sobre preços

A concorrência com os produtos importados é desafio central para a indústria mineira. De acordo com Silveira, as importações de lácteos, que representavam entre 3% e 5% da produção nacional há cerca de três anos, passaram a equivaler a aproximadamente 10% a 12%.

O avanço, associado a preços competitivos no mercado internacional, pressiona os produtos brasileiros e reduz o espaço para as empresas nacionais. A situação preocupa especialmente Minas Gerais, que destina parte significativa da produção de derivados para outros estados.

Para o presidente do Silemg, a prioridade é ampliar a participação dos produtos mineiros no mercado brasileiro antes de acelerar a busca por compradores internacionais. “O consumo doméstico ainda oferece oportunidades de crescimento, impulsionado pela demanda por alimentos ricos em proteínas e pela expectativa de aumento da renda da população”, diz.

A expectativa do dirigente é que o aumento da produção e a evolução do consumo permitam alcançar um excedente exportável em um horizonte de cinco a sete anos. China, Argélia e Rússia estão entre os mercados que podem ganhar relevância nesse processo. O Brasil já comercializa produtos com alguns desses destinos, mas ainda de maneira limitada, segundo Silveira. “No caso chinês, o potencial de consumo é considerado elevado, embora o país esteja investindo para ampliar a própria produção de leite”, completa.

Logística entra na agenda

A redução dos custos logísticos também está entre as prioridades do Silemg para a nova gestão. Yago Silveira afirma que a extensão territorial de Minas Gerais torna o transporte um componente relevante dos custos da cadeia, sobretudo na coleta de leite nas propriedades rurais e na distribuição dos derivados.

“A entidade pretende estimular iniciativas entre as empresas associadas para otimizar rotas, aumentar o volume transportado por caminhão e incorporar ferramentas de inteligência artificial na definição dos trajetos”, revela. A expectativa é reduzir despesas operacionais e melhorar a eficiência da distribuição, ampliando a capacidade de competir com produtos provenientes de outras regiões.

O trabalho deverá envolver os 190 associados do sindicato, distribuídos pelo território mineiro. A estratégia inclui tanto a preservação dos mercados já atendidos pelas empresas do Estado quanto a conquista de novos compradores.

No mercado nacional, o Rio de Janeiro é apontado como uma das oportunidades de expansão. “O estado é um importante destino dos lácteos mineiros, mas também recebe produtos de outras regiões, o que amplia a concorrência. O Silemg pretende estreitar o relacionamento comercial com os compradores fluminenses para ampliar a presença dos produtos de Minas Gerais”, conclui.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Diário do Comércio

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