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2 nov 2026
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Proposta do TCU para a CBS supera estimativas anteriores e indica que o novo imposto brasileiro pode ultrapassar a média dos países desenvolvidos.
Reforma tributária pode elevar imposto no Brasil | Reprodução/Jakub Żerdzicki/Unsplash Embed
Reforma tributária pode elevar imposto no Brasil | Reprodução/Jakub Żerdzicki/Unsplash Embed

A reforma tributária poderá elevar o imposto sobre consumo no Brasil a pelo menos 30% em 2033, quando o novo sistema estiver integralmente implementado.

A projeção ganhou força após o Tribunal de Contas da União (TCU) sugerir uma alíquota de referência de 11,3% para a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal que começa a ser cobrado em 2027.

O percentual supera estimativas anteriores e ainda depende de aprovação do Congresso Nacional. Caberá ao Senado definir a alíquota definitiva até 15 de dezembro de 2026. A proposta foi calculada por técnicos do TCU com base em dados da Receita Federal e considera a arrecadação dos tributos que serão extintos, como PIS, Cofins e parte do IPI.

Em 2024, o governo estimava uma CBS de 8,8%. Já a consultoria Roit projetava 9,43%, enquanto cálculos divulgados pelo Comitê Gestor do IBS apontavam aproximadamente 9,2% para 2027.

Brasil pode ter imposto maior que países desenvolvidos

Além da CBS, a reforma prevê o imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. Sua implementação será gradual a partir de 2029, com cobrança integral prevista para 2033.

Antes da proposta do TCU, o Comitê Gestor do IBS estimava que a tributação conjunta ficaria em torno de 28%. Com a nova projeção, analistas passaram a considerar uma alíquota de pelo menos 30%.

 


Imposto no Brasil (Vídeo: reprodução/Youtube/@SBT News)

 

Se confirmada, a taxa brasileira superará a média de 19,4% registrada pelos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo levantamento da Tax Foundation divulgado em outubro de 2026.

O governo federal argumenta que os tributos atuais sobre o consumo já representam aproximadamente 34%. Entretanto, a complexidade do sistema, com diferentes regras e cobranças de impostos sobre outros impostos, dificulta a identificação do percentual efetivamente pago.

Um dos fatores que pressionam a nova alíquota é a manutenção do nível atual de arrecadação, somada às exceções aprovadas pelo Congresso. Entre os benefícios previstos estão:

  • Alíquota zero para produtos da cesta básica, incluindo proteínas.
  • Reduções para determinados medicamentos e dispositivos médicos.
  • Benefícios para serviços de saúde e educação.
  • Alíquotas diferenciadas para atividades culturais, jornalísticas, audiovisuais e esportivas.
  • Tratamento reduzido para profissões regulamentadas por conselhos profissionais.

 

Como a reforma prevê preservar a arrecadação, os benefícios concedidos a determinados segmentos podem elevar a tributação das atividades que não recebem incentivos.

 

Esse cenário também mantém o debate sobre a distribuição dos impostos no país. Em 2024, os tributos sobre bens e serviços corresponderam a 43,5% da carga tributária brasileira, percentual superior à média da OCDE. A concentração sobre o consumo afeta proporcionalmente mais as famílias de menor renda.

O advogado tributarista Luís Garcia, sócio do Tax Group, avalia que a reorganização dos tributos não será suficiente para reduzir a carga tributária sem mudanças na política fiscal.

“A reforma tributária pode significar simplificação, mas jamais redução de carga tributária enquanto o Brasil continuar refém de uma política fiscal irresponsável.”

Setores apontam possíveis impactos nos preços e investimentos

A proposta de alíquota de 11,3% também provocou manifestações de entidades empresariais. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) alertou para o risco de aumento dos custos, especialmente entre prestadores de serviços que atualmente recolhem 3,65% de PIS/Cofins pelo regime cumulativo.

A entidade destaca que empresas com grande participação de mão de obra podem ser mais afetadas, pois os gastos com folha de pagamento não geram créditos tributários no novo modelo.

 

 

A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) também demonstrou preocupação. Segundo a entidade, uma alíquota acima das projeções anteriores pode elevar os custos de produção e ser repassada aos preços dos alimentos, pressionando o orçamento das famílias.

Na indústria paulista, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que a proposta contraria a premissa de manutenção da carga tributária. Ele também apontou que o percentual pode representar mais de R$ 100 bilhões em tributos adicionais já em 2027.

A Conexis Brasil Digital, representante das empresas de telecomunicações, por sua vez, alertou que a alíquota poderá prejudicar investimentos em inovação e expansão das redes, com possíveis reflexos no custo dos serviços.

A definição da CBS pelo Senado será determinante para os próximos passos da reforma. A discussão envolve não apenas a simplificação do sistema, mas também os efeitos da nova tributação sobre empresas, investimentos e consumidores durante a transição até 2033.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por MAG N

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