ESPMEXENGBRAIND
29 nov 2025
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29 nov 2025
Com alimentos em alta, a agroindústria reverteu meses negativos e voltou a crescer 💡
A agroindústria interrompeu três meses de queda e ‘zerou’ perdas do trimestre, impulsionada pelo forte avanço dos alimentos e dos lácteos. 📈
A agroindústria interrompeu três meses de queda e ‘zerou’ perdas do trimestre, impulsionada pelo forte avanço dos alimentos e dos lácteos. 📈

A agroindústria brasileira conseguiu uma virada significativa em setembro e, segundo dados divulgados pelo FGV Agro, praticamente “zerou” as perdas acumuladas ao longo do terceiro trimestre.

Após atravessar três meses seguidos de retração, o setor registrou um crescimento de 2,30%, movimento que anulou quase completamente o recuo do bimestre anterior e trouxe novo fôlego à produção nacional. P

ara pesquisadores da instituição, a retomada está diretamente ligada ao desempenho vigoroso da indústria de alimentos — com papel relevante dos lácteos — e ao consumo interno aquecido.

Os resultados fazem parte do Índice de Produção Agroindustrial PIM Agro, que apontou um salto expressivo no grupo de produtos alimentícios e bebidas.

O conjunto cresceu 5,80%, a maior expansão dos últimos cinco anos, mas o FGV Agro esclarece que o ritmo foi impulsionado sobretudo pela indústria de alimentos, cuja produção avançou 7,10%. Dentro dela, os alimentos de origem animal tiveram desempenho ainda mais destacado, crescendo 7,90%.

Analistas ressaltam que a aceleração incluiu indústrias de carne bovina, suína e de frango, de pescados e de laticínios, que ajudaram a elevar o agregado animal e a compor a força da reação.

Segundo técnicos ouvidos pelo FGV Agro, o reaquecimento do mercado interno foi determinante para que a indústria pudesse “virar a curva” no mês.

Com maior demanda doméstica por proteínas e derivados lácteos, parte das plantas industriais voltou a operar com carga mais elevada, reduzindo o impacto do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos em agosto.

A instituição explicou que, diante das restrições externas, empresas buscaram canais alternativos de comercialização, estratégia que também contribuiu para manter o ritmo produtivo.

O avanço não ficou restrito aos produtos de origem animal. A produção vegetal cresceu 5,90%, com aumento generalizado em segmentos como óleos e gorduras, trigo, arroz, açúcar, café, conservas e sucos.

Fontes do setor ouvidas pela reportagem avaliam que essa difusão dos ganhos é um indicativo de que a reação não foi pontual, mas abrangente, fortalecendo a visão de um quadro de estabilização após meses turbulentos.

Por outro lado, o comportamento da indústria de bebidas continuou pressionando o resultado agregado. Em setembro, o setor recuou 1,50%, afetado principalmente pela queda de 6,70% nas bebidas alcoólicas, que já acumulam seis meses consecutivos de retração.

Especialistas consultados pelo FGV Agro observam que os números ainda não captam os impactos dos recentes casos de contaminação com metanol, que só começaram a emergir no fim daquele mês e podem influenciar os indicadores futuros.

O desempenho das agroindústrias não-alimentícias também foi misto. O agregado recuou 1,50%, puxado quase integralmente pela forte queda na produção de etanol derivado da cana-de-açúcar. Como diversas usinas priorizaram a fabricação de açúcar, a produção de biocombustíveis despencou 24,40%, marcando o pior desempenho para um mês de setembro desde 2009.

Analistas apontam que o recuo reflete tanto a dinâmica internacional favorável ao açúcar quanto ajustes estratégicos momentâneos das usinas.

Mesmo assim, outros setores não-alimentícios mostraram resiliência. A produção de fumo cresceu 35%, colocando o segmento 33,50% acima do volume registrado antes das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio do ano passado. Já a produção de têxteis avançou 5,80%, e a de produtos florestais, 2,40%, ambos beneficiados por cadeias industriais mais estáveis e por melhorias em custos logísticos.

Os insumos agroindustriais também tiveram um mês de destaque, com alta de 7,70%. O crescimento incluiu ganhos em tratores e máquinas, intermediários para fertilizantes e, sobretudo, defensivos e desinfetantes domissanitários.

Para o FGV Agro, o movimento indica uma antecipação de pedidos por parte das empresas, sinalizando expectativas de demanda firme para o último trimestre do ano.

Ao analisar o conjunto dos dados, especialistas destacam que setembro representou uma virada crucial: embora o trimestre ainda tenha fechado com leve recuo, a agroindústria conseguiu estancar a tendência negativa e reforçar a percepção de que o setor possui recursos internos para reagir mesmo diante de pressões externas. Com alimentos — e especialmente laticínios — sustentando o desempenho, o setor abre espaço para perspectivas mais otimistas no encerramento do ano.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Sociedade Nacional de Agricultura

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