Alimentos saudáveis tornaram-se um conceito cada vez mais difuso para os consumidores britânicos, segundo uma pesquisa encomendada pela Danone North Europe, que defende uma definição clara e consistente por parte do governo para reduzir a confusão nutricional.
A posição da empresa foi apresentada no momento em que o governo do Reino Unido se prepara para consultar a ampliação do escopo de alimentos classificados como ricos em gordura, sal e açúcar (HFSS). De acordo com a Danone, mudanças adicionais no sistema de classificação, sem critérios claros, podem aumentar a incerteza do consumidor e comprometer avanços já obtidos pelo setor.
Os dados fazem parte do relatório inaugural Consumed: Nutritional Behaviour Index, baseado em entrevistas com 5.000 adultos no Reino Unido e 200 nutricionistas e dietistas. O levantamento indica que 66% dos consumidores esperam uma atuação mais ativa do governo no apoio a escolhas alimentares mais saudáveis.
Entre os profissionais de saúde consultados, 91% afirmam que os consumidores estão “sobrecarregados” por informações nutricionais conflitantes. Essa percepção é particularmente acentuada entre a Geração Z, para quem o TikTok já é a principal fonte de informações sobre saúde e nutrição para 19% dos entrevistados, embora apenas 18% afirmem confiar na plataforma.
Segundo a Danone, o debate ganha relevância à medida que o governo considera ajustes adicionais na classificação nutricional. A empresa argumenta que reclassificar produtos de consumo cotidiano — como iogurtes com frutas ou cereais integrais — de “saudáveis” para “não saudáveis” pode enfraquecer anos de investimentos em reformulação.
James Mayer, presidente da Danone North Europe, afirmou que a indústria reduziu de forma consistente os teores de gordura, sal e açúcar para oferecer opções mais equilibradas. Para ele, a eventual reclassificação desses produtos enviaria mensagens contraditórias ao consumidor e desestimularia esforços futuros de inovação nutricional.
O estudo também analisou os principais fatores que influenciam as decisões de compra. O preço aparece como um dos critérios centrais, ao lado do teor de açúcar (30%), sal (24%) e gordura (22%). Ainda assim, 64% dos consumidores declararam apoiar iniciativas de reformulação promovidas pela indústria.
Outro ponto de atenção destacado pela Danone é o uso do termo “alimentos ultraprocessados” (UPF). Embora amplamente difundido por mídia e influenciadores, o conceito não possui uma definição universalmente aceita. Segundo a pesquisa, 88% dos nutricionistas acreditam que a maioria das pessoas não compreende o que caracteriza um UPF.
Apesar de 72% dos consumidores associarem alimentos processados a opções não saudáveis e 47% afirmarem evitá-los, quase metade (45%) busca produtos com benefícios adicionais, como proteína ou fibras — atributos que exigem algum nível de processamento.
Para Niamh Brannelly, responsável por nutrição e comunicação científica da Danone, o foco excessivo no grau de processamento, em detrimento do valor nutricional, cria confusão desnecessária. Ela defende que alimentos enriquecidos com fibras, proteínas, vitaminas e minerais têm papel relevante em uma dieta equilibrada e não deveriam ser equiparados a produtos ricos em açúcares e gorduras adicionadas.
Na avaliação da empresa, a ausência de diretrizes claras e coerentes pode dificultar decisões informadas do consumidor e gerar efeitos indiretos sobre investimentos, inovação e políticas públicas de alimentação no Reino Unido.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Fruitnet






