A balança comercial de lácteos seguiu pressionada em fevereiro, mesmo com a recuperação das exportações.
O movimento central do mês foi claro: o avanço das compras externas superou o ganho nos embarques, ampliando o déficit e mantendo o Brasil dependente do mercado internacional para suprimento de derivados.
Os dados indicam que as exportações cresceram 17,32% em relação a janeiro, somando 5,04 milhões de litros em equivalente-leite (EqL). No entanto, esse avanço não foi suficiente para compensar o volume importado, que atingiu 182,03 milhões de litros EqL, com alta de 1,96% no mesmo comparativo. Como resultado, o déficit chegou a 177 milhões de litros EqL, 1,6% acima do mês anterior. Em valores, o saldo negativo foi de US$ 72,18 milhões, com leve aumento de 0,7%.
O que está puxando o déficit
O principal vetor do desequilíbrio continua sendo o leite em pó, que concentrou 79,7% das importações em fevereiro. O volume desse produto avançou 7,57% no mês, alcançando 145,11 milhões de litros EqL, mesmo com recuo de 2,4% no preço médio, para US$ 3,21/kg.
Já os queijos, responsáveis por 19,4% das compras externas, apresentaram comportamento distinto: queda de 16,83% no volume, mas com aumento expressivo de 21,6% no preço médio, chegando a US$ 8,29/kg. Esse movimento indica pressão de preços mesmo com retração nas quantidades.
Do ponto de vista de origem, Argentina, Uruguai e Paraguai lideraram o fornecimento ao Brasil, reforçando a dependência regional nas importações de lácteos.
Exportações: avanço concentrado e heterogêneo
Do lado das exportações, o crescimento foi puxado principalmente pelos queijos, que avançaram 28,88% e atingiram 2,01 milhões de litros EqL, representando 39,8% do total embarcado.
O leite condensado, por sua vez, respondeu por 17,2% das exportações, mas registrou queda de 30,73% frente a janeiro, somando 868,36 mil litros EqL. Esse contraste evidencia uma pauta exportadora ainda concentrada e com desempenho desigual entre categorias.
📊 Comércio exterior de lácteos (fev/26)
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Exportações (EqL) | 5,04 milhões de litros |
| Importações (EqL) | 182,03 milhões de litros |
| Déficit (EqL) | 177 milhões de litros |
| Déficit (US$) | 72,18 milhões |
| Principal importado | Leite em pó (79,7%) |
| Destaque exportação | Queijos (39,8%) |
O dado mais relevante para o empresário é a persistência do déficit mesmo em um cenário de recuperação das exportações. Isso indica que o ajuste do mercado interno ainda não foi suficiente para reduzir a dependência externa, especialmente em categorias como leite em pó.
Ao mesmo tempo, a queda anual tanto das exportações (-18,13%) quanto das importações (-15,81%) e a redução do déficit em volume (-22%) na comparação com fevereiro de 2025 sugerem um mercado menos aquecido do que no ano anterior, mas ainda estruturalmente desequilibrado.
Na prática, o cenário combina três sinais:
- demanda externa ainda limitada para produtos brasileiros
- forte presença de importados no abastecimento interno
- sensibilidade do mercado a preços internacionais
Isso reforça a necessidade de monitorar o comportamento das importações, especialmente de leite em pó, e sua influência direta sobre preços domésticos e competitividade industrial.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Ano32_369_março_Boletim do Leite






