A cadeia do frio sempre foi um pilar invisível da cadeia de suprimentos láctea nos Estados Unidos, sustentando a qualidade, a segurança alimentar e a eficiência econômica desde a fazenda até o varejo.
No entanto, com consumidores exigindo maior transparência e frescor, e redes logísticas cada vez mais complexas, o setor enfrenta uma pressão crescente para modernizar suas operações.
Durante a DairyTech 2025, em Columbus (Ohio), o painel “Innovations on the Road” destacou como automação, inteligência artificial, visibilidade digital e sistemas integrados estão redefinindo o armazenamento e o transporte de produtos sensíveis à temperatura.
Para processadores, a cadeia do frio — que combina armazenagem e transporte — deixou de ser apenas uma exigência operacional para se tornar um fator estratégico de desempenho.
Dados como infraestrutura operacional
Armazéns refrigerados precisam lidar com todo o portfólio de SKUs lácteos, do leite fluido ao queijo, passando por iogurtes e sobremesas congeladas. Historicamente, muitos sistemas foram projetados apenas para garantir transações corretas — entrada e saída de mercadorias e temperaturas adequadas. Hoje, o valor está no dado por trás dessas operações.
Kelly Pettijohn, senior director of business development da Americold, afirmou que a empresa está migrando do simples envio de dados para sua interpretação estratégica.
“Queremos garantir que adotamos o que está disponível em tecnologia para tornar nossos clientes mais eficientes e mais econômicos.”
Essa evolução exige visibilidade no nível de item e de pallet, além de estruturas de dados capazes de capturar velocidade de giro, consistência entre sistemas e integridade da rastreabilidade.
“Em vez de apenas gerenciar a transação, perguntamos se os dados por trás dela estão corretos”, disse Pettijohn.
O momento é especialmente relevante. Mesmo com o adiamento da aplicação da norma FSMA 204, muitos varejistas já avançam com requisitos de rastreabilidade e esperam que fornecedores acompanhem esse movimento — um sinal claro de que a digitalização tende a se tornar um padrão competitivo.
Logística preditiva ganha escala
O fortalecimento da cadeia do frio traz benefícios imediatos: melhor desempenho em segurança alimentar, menor risco de crescimento bacteriano e redução de perdas e recalls.
No transporte, a Canadian Pacific Kansas City (CPKC) Railway investiu em sistemas habilitados por IA capazes de identificar sinais precoces de falhas em equipamentos ou infraestrutura.
“É uma tecnologia patenteada para analisar feedback e antecipar problemas antes que aconteçam, mantendo pessoas e produtos seguros”, afirmou Melanie Smith, diretora de vendas da companhia.
Ferramentas digitais em tempo real também estão eliminando atrasos e gargalos administrativos. A substituição de registros em papel por tablets, por exemplo, pode economizar entre quatro e cinco horas em algumas operações.
O monitoramento térmico avançou no mesmo ritmo. A Americold já consegue avaliar a temperatura das cargas antes mesmo de o caminhão chegar ao dock, enquanto equipamentos refrigerados intermodais permitem supervisão remota durante toda a viagem — inclusive com ajustes imediatos.
Adoção tecnológica depende das pessoas
Apesar do avanço tecnológico, especialistas enfatizam que o sucesso depende do engajamento da força de trabalho. Segundo Pettijohn, a adesão cresce quando funcionários entendem seu papel na proteção dos alimentos, não apenas na execução de tarefas.
Trabalhadores mais jovens tendem a adotar ferramentas digitais e IA com rapidez, acelerando a modernização dos armazéns.
Executivos também reforçam que a IA deve atuar como complemento — não substituição — da mão de obra. Smith descreveu o uso da tecnologia com “parâmetros muito rigorosos”, enquanto Pettijohn destacou a importância de validar dados para construir redes confiáveis.
Nesse contexto, auditar a infraestrutura existente, priorizar upgrades direcionados e integrar sistemas de dados entre armazenagem e transporte pode transformar riscos logísticos em vantagem competitiva — um recado relevante para empresas que operam com margens pressionadas e cadeias cada vez mais expostas.
Integração define o próximo salto
A tendência é que a cadeia do frio deixe de ser reativa e passe a operar de forma preditiva, conectando sensores, monitoramento de armazéns, registros de motoristas e ferramentas de roteirização.
Pettijohn projeta uma logística com menos nós, fluxos mais diretos e ajustes em tempo real guiados pela demanda. Smith concorda e ressalta que iniciativas já em curso exigem cooperação inédita entre processadores, operadores logísticos e reguladores.
A visão compartilhada aponta para uma cadeia do frio mais limpa, inteligente, transparente e colaborativa — capaz de sustentar um setor lácteo cada vez mais orientado por dados.
“Quando fizermos isso acontecer, será algo fluido e bonito”, concluiu Smith.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Dairy Processing






