ESPMEXENGBRAIND
13 jan 2026
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Com foco em pessoas, tecnologia e sustentabilidade, a Canto Porto redesenhou sua operação leiteira e acelerou o crescimento 🐮
A trajetória da Canto Porto mostra como gestão, genética e equipe integrada sustentam escala e previsibilidade no leite 🔍
A trajetória da Canto Porto mostra como gestão, genética e equipe integrada sustentam escala e previsibilidade no leite 🔍

Canto Porto consolidou, em menos de uma década, um modelo de produção de leite que articula escala, tecnologia e capital humano em Mogi Mirim (SP).

A propriedade, adquirida pela família em 2016, partiu de uma estrutura limitada e evoluiu para um projeto confinado focado na raça Holandesa, com governança coletiva e decisões orientadas por dados. O salto produtivo é expressivo: de cerca de 2 mil litros por dia no início do projeto para aproximadamente 80 mil litros diários na operação atual.

Segundo a equipe da fazenda, a transformação não foi apenas técnica. O avanço envolveu escolhas de gestão, investimentos consistentes em infraestrutura e a construção de uma cultura organizacional baseada no trabalho em equipe. Entre 2018 e 2020, a definição pelo sistema confinado e pela genética Holandesa orientou o roteiro de investimentos. As principais obras foram concluídas em 2022, preparando a operação para rodar em escala e com maior previsibilidade.

Hoje, a Canto Porto abriga cerca de 5.300 cabeças, com aproximadamente 2.100 vacas em lactação. A ordenha é realizada em carrossel com 50 postos, apoiada por um conjunto tecnológico que inclui colares com inteligência artificial, câmeras para análise de locomoção e sistemas de monitoramento sanitário e reprodutivo. O manejo de volumosos é majoritariamente próprio, com produção de milho e alfafa que assegura base nutricional estável ao rebanho e reduz exposição a oscilações de mercado.

A integração de dados tornou-se um eixo central da estratégia operacional. A fazenda desenvolve um software proprietário para reunir informações da ordenha, do bezerreiro, da nutrição e da agricultura em painéis acionáveis. O objetivo, conforme explica a equipe técnica, é evitar a perda de informação causada por sistemas isolados e acelerar a tomada de decisão no dia a dia. A lógica é reduzir ruído operacional e transformar dados dispersos em gestão prática.

As práticas de sustentabilidade avançam de forma articulada ao modelo produtivo. A operação utiliza energia fotovoltaica, reaproveita águas pluviais, substitui gradualmente insumos químicos por biológicos e aplica dejetos como fertilizante nas lavouras. Mais de três mil mudas foram plantadas para recuperação de áreas e geração de serviços ecossistêmicos, integrando a dimensão ambiental à eficiência econômica.

No centro do projeto está o capital humano. A Canto Porto adotou uma cultura descrita internamente como “argumentocracia”, em que decisões são tomadas com base em dados, debate técnico e consenso, com hierarquias mais horizontais. “Aqui somos um time. Todo mundo tem voz, responsabilidade e espaço para crescer”, afirma Tonico Canto Porto, proprietário da fazenda, que se define como “funcionário da operação”.

Essa abordagem se materializa em iniciativas concretas. A fazenda mantém um centro de estudos com reforço escolar e alfabetização, além de programas estruturados de estágio e trainee que alimentam sucessões internas. O plano de capacitação inclui cursos técnicos e parcerias com instituições de ensino, reforçando a formação contínua da equipe.

O impacto econômico local também é relevante. A operação gera empregos diretos e indiretos, compra insumos na região e contrata serviços, movimentando a cadeia produtiva. A relação com cooperativas é tratada como estratégica para garantir acesso a insumos, logística e condições de competitividade. Na avaliação da empresa, cooperar é uma forma de proteger o negócio e ampliar eficiência sistêmica.

No campo técnico-agronômico, a busca é por maior autossuficiência. A gestão prevê a instalação de novos pivôs de irrigação para reduzir risco climático e ampliar a produção de forragem. Em anos favoráveis, safras complementares ajudam a aliviar pressões de custo e asseguram alimento de qualidade ao rebanho. Metas zootécnicas, painéis de desempenho acessíveis e reuniões periódicas permitem ajustes rápidos de rota.

Toda a produção de leite é comercializada com a indústria, com entrega para a Lactalis, em Araras (SP). No curto prazo, a estratégia prioriza eficiência “da porteira para dentro”. Alternativas como envase próprio, marca ou exportação são consideradas possibilidades futuras, mas não fazem parte do plano imediato.

A fazenda também atua como polo de difusão técnica. A Canto Porto recebe produtores, consultores e universidades, realiza eventos e mantém um programa de estágio considerado um dos mais disputados do setor. As turmas ocorrem duas vezes ao ano e oferecem experiência prática em áreas como Bezerreira, Reprodução, Agricultura e Sanidade, com estrutura de alojamento integrada à rotina produtiva.

Para os próximos 12 a 36 meses, o planejamento inclui ampliar áreas irrigadas, aumentar a capacidade de silagem, expandir a lagoa de dejetos e concluir a integração digital entre setores. O objetivo declarado é alcançar 100 mil litros por dia de forma consistente, mantendo controle de custos e qualidade. A governança prevê metas trimestrais, comitês temáticos e indicadores visíveis a toda a equipe.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Feed & Food

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