ESPMEXENGBRAIND
20 mar 2026
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📈 Alta na captação reflete melhora de preços, mas menos produtores participam do sistema formal.
🥛 Crescimento de volume convive com queda no número de fornecedores e avanço da produtividade
🥛 Crescimento de volume convive com queda no número de fornecedores e avanço da produtividade.

A captação de leite pelas maiores indústrias do Brasil cresceu 6,5% em 2025, alcançando 11 bilhões de litros entre 17 empresas e cooperativas.

O dado sinaliza um movimento de recomposição da oferta formal, puxado principalmente pela melhora nos preços pagos ao produtor após um período de retração.

Esse avanço tem impacto direto na organização da cadeia. As empresas do ranking concentram cerca de 40% dos 27,5 bilhões de litros formalmente inspecionados no país, o que reforça o peso desses players na formação de mercado e na dinâmica de originação. A revisão dos dados de 2024, corrigida de 10,8 para 10,3 bilhões de litros devido a duplicidade, também ajusta a base de comparação e torna o crescimento de 2025 mais consistente.

O principal mecanismo por trás da expansão foi a recuperação dos preços ao produtor. Após atingir R$ 1,88 por litro em outubro de 2023, o indicador superou R$ 2,80 em março de 2025. Esse movimento reativou o estímulo à produção, ainda que sem configurar um cenário de preços elevados. O efeito foi suficiente para ampliar a captação, mas não para reverter tendências estruturais.

Entre elas, destaca-se a redução do número de fornecedores. Em 2025, o total caiu para 43,2 mil produtores, uma queda de 3,2% em relação ao ano anterior. O dado evidencia um processo de concentração produtiva, no qual menos produtores respondem por volumes maiores. Esse ajuste é descrito como um movimento natural, intensificado em períodos de crise.

A contrapartida desse enxugamento é o ganho de produtividade. As propriedades fornecedoras elevaram a média para 647 litros por dia, um crescimento de 12,4%. O avanço está associado à adoção de tecnologia, melhorias de manejo e maior eficiência administrativa e zootécnica. Na prática, a cadeia responde à pressão por competitividade com intensificação produtiva.

Ao mesmo tempo, fatores externos seguem influenciando o equilíbrio do mercado. O aumento das importações de lácteos, que passou de uma média histórica entre 1,5% e 3% para um intervalo de 8% a 12% do consumo, contribuiu para pressionar os preços ao produtor em momentos anteriores. Esse fluxo adicional de oferta foi apontado como um fator de desestabilização, com impacto direto sobre a rentabilidade.

No recorte empresarial, a liderança permanece com a Lactalis, que captou 2,9 bilhões de litros em 2025, alta de 7,6%. A estratégia combina crescimento junto à base atual de produtores e parcerias com cooperativas, que já representam cerca de 50% do volume via contratos de longo prazo, especialmente no Sul e em Minas Gerais. Programas de assistência técnica também mostram efeito, com crescimento de 18% entre produtores atendidos.

O Grupo Piracanjuba, segundo no ranking com 2 bilhões de litros e avanço de 6,9%, direciona sua expansão para novas regiões. A entrada no Nordeste, com a aquisição da Natulact em Sergipe, indica um movimento de ampliação territorial como vetor de crescimento da captação.

Para 2026, a expectativa do setor é de novo estímulo à produção caso se confirme a melhora nos preços ao produtor. O cenário combina sinais positivos de captação com desafios estruturais claros: menos produtores, maior exigência de eficiência e sensibilidade a fluxos externos de oferta.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural

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