ESPMEXENGBRAIND
14 jan 2026
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O custo da cesta básica oscilou entre capitais, refletindo produção, logística e consumo regional. 🧩
A evolução da cesta básica em dezembro revela o peso da oferta agrícola e das políticas de abastecimento. 🌾
A evolução da cesta básica em dezembro revela o peso da oferta agrícola e das políticas de abastecimento. 🌾

A cesta básica no Brasil apresentou, em dezembro de 2025, um comportamento marcado por contrastes regionais, sinalizando uma fase de acomodação de preços após um ano influenciado por elevada produção agrícola e ajustes nas políticas públicas de abastecimento.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, elaborada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada em 8 de janeiro de 2026.

A pesquisa passou a abranger, desde agosto de 2025, as 27 capitais brasileiras, ampliando a série histórica antes restrita a 17 cidades. Essa expansão permite uma leitura mais abrangente das dinâmicas regionais de preços, do impacto da oferta agrícola e da transmissão de políticas públicas ao consumidor final. O levantamento de dezembro confirma que, embora o custo da alimentação familiar siga pressionado em alguns centros urbanos, há sinais claros de redução ou estabilidade em diversas regiões do país.

No Sudeste, a cesta básica manteve os valores mais elevados do Brasil. São Paulo continuou como referência nacional de maior custo, registrando alta de 0,56% entre novembro e dezembro e encerrando o mês em R$ 845,95. Belo Horizonte apresentou aumento de 1,58%, enquanto o Rio de Janeiro teve variação positiva de 1,03%. Segundo o DIEESE, esses movimentos refletem a persistência de pressões estruturais sobre itens de maior peso, especialmente a carne bovina de primeira, que apresentou elevação generalizada nas capitais da região.

A região Sul mostrou comportamento mais heterogêneo. Porto Alegre registrou queda de 0,70% no custo total da cesta básica, influenciada principalmente pela redução do preço da batata, que recuou 3,57% na capital gaúcha. Curitiba também apresentou diminuição de 1,03%, enquanto Florianópolis teve leve alta de 0,08%. O padrão observado reforça o papel da sazonalidade agrícola e da oferta regional como fatores capazes de suavizar pressões inflacionárias mais amplas.

No Centro-Oeste, considerado o coração produtivo do país, as capitais registraram aumentos moderados. Brasília apresentou alta de 1,54%, e Goiânia, de 1,19%. Ainda assim, a pesquisa aponta que a variação dos preços dos produtos individuais foi desigual ao longo de 2025, com quedas relevantes em alguns itens e elevações em outros. Esse comportamento reflete a interação entre mercados internos e externos e a forma como oscilações das commodities agrícolas se transmitem ao consumo doméstico.

O Nordeste concentrou algumas das maiores altas mensais. Maceió liderou o ranking nacional em dezembro, com elevação de 3,19% no custo da cesta básica, seguida por Salvador (1,55%) e Fortaleza (0,95%). De acordo com o DIEESE, a composição da cesta nas capitais nordestinas, que inclui produtos como farinha de mandioca e feijão carioca em quantidades distintas, contribui para uma maior volatilidade. Além disso, fatores como renda, padrões de consumo e políticas de subsídio influenciam diretamente o comportamento dos preços.

Na região Norte, predominou um movimento de queda. Porto Velho apresentou a maior redução do país, com recuo de 3,60%, seguida por Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%). Essas quedas indicam efeitos positivos de maior oferta interna e de ajustes logísticos no abastecimento, reduzindo custos associados ao transporte e à escassez pontual em áreas mais remotas.

O levantamento também evidencia o papel das políticas públicas na dinâmica recente dos preços. A redução do valor do arroz agulhinha em 23 das 27 capitais entre novembro e dezembro aponta para a influência direta da produção interna e da gestão de estoques. De forma semelhante, a queda do preço do leite integral em 22 cidades sugere maior eficiência da cadeia produtiva e aumento da oferta de produtos lácteos.

No conjunto do país, o custo da cesta básica aumentou em 17 capitais e diminuiu em nove no último mês de 2025. Ainda assim, o quarto trimestre do ano registrou redução do custo em diversas localidades, indicando um ambiente de pressão menor em comparação com períodos anteriores. Para o DIEESE e a Conab, os dados sugerem que estratégias de política agrícola, aliadas a uma safra robusta, começam a produzir efeitos mais visíveis no mercado de alimentos essenciais.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Diário de Uberlândia 

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