A crise do leite no Brasil foi o tema central de uma live realizada na segunda-feira (26), promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), com participação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
O encontro reuniu lideranças do setor produtivo, representantes técnicos e parlamentares para discutir os fatores que explicam o atual cenário da pecuária leiteira e os caminhos regulatórios em debate.
A transmissão foi aberta pelo presidente da Faemg, Antônio Pitangui de Salvo, que classificou o momento como uma das situações mais graves já enfrentadas pela cadeia leiteira mineira e brasileira. Segundo ele, a combinação de custos elevados, preços pressionados e concorrência externa com valores artificialmente baixos compromete a sustentabilidade da atividade.
Pitangui destacou que a principal frente de atuação do setor é a continuidade das ações para conter a entrada de leite em pó a preços de dumping provenientes da Argentina e do Uruguai. Para o dirigente, a adoção de medidas corretivas pode oferecer previsibilidade ao produtor. “Essa medida pode nos trazer segurança duradoura, permitindo investir com mais tranquilidade e com a garantia de que não competiremos com preços artificiais”, afirmou durante a live.
O assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, apresentou uma linha do tempo das ações da Comissão Nacional de Leite e da atuação da entidade desde o início da intensificação das importações, em 2022. Ele lembrou que, desde então, a CNA acompanha os impactos das compras externas sobre o mercado interno e reúne evidências de distorções competitivas.
De acordo com Dias, a CNA identificou indícios de dumping no leite em pó importado e protocolou, em agosto de 2024, um pedido formal de investigação junto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No entanto, em agosto de 2025, houve uma mudança de entendimento por parte do ministério, que passou a considerar que o produto nacional comparável deveria ser o leite em pó, e não o leite fluido pago ao produtor.
Segundo o assessor, essa alteração gerou surpresa no setor. “A mudança não fez sentido, justamente porque quem sofre os impactos são os produtores rurais, e o governo sempre considerou o leite dos produtores como o produto impactado”, explicou. A CNA recorreu da decisão e apresentou novas provas ao processo. Em dezembro de 2025, a investigação foi retomada e segue em andamento.
Atualmente, conforme informado, o governo solicitou dados complementares sobre preços e custos aos exportadores argentinos e uruguaios, além de informações aos importadores brasileiros. O prazo para entrega das informações se encerra em 4 de fevereiro. Após essa etapa, o MDIC deverá calcular a margem de dumping, o dano à indústria doméstica e o nexo causal.
As estimativas técnicas da CNA indicam margens entre 53% e 54% abaixo dos preços praticados nos países de origem, um diferencial que, segundo a entidade, compromete a formação de preços no mercado brasileiro. Após a manifestação dos importadores, o processo avança para a fase de conclusão técnica.
“Seguimos acompanhando de perto. Existem prazos a serem cumpridos, e continuamos realizando a gestão técnica e política do processo”, afirmou Dias. Ele acrescentou que a expectativa é de que a investigação transcorra sem novas intercorrências e que, comprovado o dumping, sejam aplicadas tarifas capazes de corrigir as distorções de mercado.
A live também contou com a participação da deputada federal Ana Paula Leão (PP-MG), presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Produtor de Leite (FPPL). Ela reforçou que, na avaliação do Parlamento ligado ao setor, as medidas antidumping são decisivas para enfrentar a crise atual.
“Nesse momento, o que vai nos tirar da crise são as medidas antidumping. Pedimos que os produtores continuem unidos e pressionando o governo para que tenhamos êxito nessa iniciativa”, afirmou a parlamentar.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de CNA






