A colina é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo e, embora costume ser chamada de “vitamina J”, não é classificada oficialmente como vitamina nos sistemas tradicionais de nutrição.
Ainda assim, seu papel metabólico é amplamente reconhecido por instituições de referência em saúde e ciência.
De acordo com órgãos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), apenas as vitaminas dos complexos A, C, D, E, K e B integram oficialmente as tabelas vitamínicas. A colina, por sua vez, foi classificada como nutriente essencial pelo Institute of Medicine, ligado às Academias Nacionais de Ciências dos EUA, em 1998, devido às suas funções vitais e à semelhança funcional com vitaminas do complexo B.
No organismo, a colina atua diretamente no metabolismo de gorduras no fígado, ajudando a prevenir o acúmulo de lipídeos hepáticos. Também participa da formação de fosfolipídios, componentes fundamentais das membranas celulares, e é indispensável para a síntese da acetilcolina, neurotransmissor associado à memória, ao aprendizado e ao controle muscular.
Outro papel relevante da colina está na regulação da homocisteína, aminoácido relacionado ao risco cardiovascular quando presente em níveis elevados. Durante a gestação, sua importância se amplia: o nutriente contribui para o desenvolvimento do cérebro fetal, sendo considerado estratégico para a saúde materno-infantil.
Embora o corpo humano consiga produzir pequenas quantidades de colina, essa síntese endógena não é suficiente para atender às necessidades diárias. Por isso, a ingestão por meio da alimentação é considerada indispensável.
É nesse ponto que os alimentos de origem animal, especialmente os lácteos, ganham relevância. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), as principais fontes alimentares de colina incluem gema de ovo, fígado bovino e de frango, carnes magras, peixes como salmão e bacalhau, além de leite e derivados. Esses produtos apresentam concentrações mais elevadas do nutriente quando comparados às fontes vegetais.
Entre os alimentos de origem vegetal, que oferecem quantidades menores de colina, destacam-se soja e derivados, feijão, grão-de-bico, brócolis, couve-flor, quinoa e amendoim. Ainda que contribuam para a ingestão total, geralmente não alcançam os mesmos níveis observados nos alimentos de origem animal.
As recomendações internacionais indicam ingestões diárias adequadas de colina que variam conforme o perfil populacional: cerca de 550 mg por dia para homens adultos, 425 mg para mulheres adultas, aproximadamente 450 mg para gestantes e 550 mg para lactantes. Esses valores podem variar de acordo com idade e condições específicas de saúde.
Mesmo fora do grupo oficial das vitaminas, a colina segue consolidando seu espaço como nutriente-chave na discussão sobre alimentação equilibrada — e os lácteos, mais uma vez, aparecem como parte consistente dessa narrativa nutricional.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Revista Fórum






