Estudos recentes mostram que as mudanças climáticas afetam a estabilidade de sistemas alimentares e que o clima, além de ser um determinante nos padrões de produção e oferta de alimentos, tem afetado também a demanda.
clima
A ferramenta do Google Trends mostra que as buscas na web no Brasil se concentram mais no produto leite.

Neste âmbito, a última newsletter do OC de 2023 traz uma análise do impactodo clima e das ondas de calor recentes sobre o interesse dos consumidores por leite e derivados, empregando o conteúdo buscado no Google entre dezembro de 2022 e novembro de 2023. 

O desenvolvimento do El Niño no Oceano Pacífico no ano de 2023 causou impactos nas condições de tempo observadas no Brasil. As chuvas diminuíram no Sudeste, Centro Oeste e Norte e aumentaram significativamente no Sul, causando transtornos. Ondas de calor históricas foram registradas no Sudeste e Centro Oeste em setembro e novembro. O Sul, por sua vez, sofreu menos com os extremos de temperatura. 

Para avaliar o efeito dessas condições de tempo sobre o interesse por lácteos, foram selecionados 3 estados brasileiros: São Paulo e Minas Gerais, que sofreram maior impacto das ondas de calor recentes, e Rio Grande do Sul, que foi menos atingido por estes eventos extremos.

Dentre os produtos lácteos, foram selecionados três palavras-chave para análise: sorvete, queijo e leite.

Evolução temporal do interesse

 A ferramenta do Google Trends mostra que as buscas na web no Brasil se concentram mais no produto leite. Ele é responsável por mais buscas do que a soma dos outros dois derivados lácteos. É interessante notar também que, no período analisado, o interesse por sorvete apresentou dois picos recentes, em setembro e novembro de 2023, justamente o período das ondas de calor.

 

Relação entre o consumo de queijos e o clima

Para entender melhor a relação entre o interesse pelos lácteos analisados e o clima, foi realizada uma análise de correlação considerando os dados do Google Trends para cada derivado e o clima dos três estados analisados. O coeficiente de correlação mede o grau e a direção de relacionamento entre duas variáveis. Quanto mais próximo de 1, maior a relação direta entre as variáveis. E quanto mais próximo de -1, maior a relação indireta entre as variáveis analisadas.
É interessante notar que, para os queijos (figura ao lado), a correlação foi fortemente negativa especialmente em Minas Gerais e São Paulo. Isso sugere que há uma forte associação do consumo desse produto com o ocorrência de temperaturas mais baixas.

O consumo de leite tem relação com o clima?

No caso do leite, que é o derivado lácteo mais consumido no Brasil e o mais buscado no Google, a correlação medida não foi tão forte. No estado de São Paulo, a correlação foi considerada fraca (menor que -0,5). Já em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, a correlação encontrada foi moderada. O sinal negativo, indica que o interesse por leite está mais associado a temperatura baixas que ao calor.
Apesar de não ser possível afirmar que o consumo de leite responde a mudanças climáticas, estudos posteriores podem investigar melhor essa relação em períodos maiores e em outros estados, de modo a entender melhor a intensidade dessa associação.
Calor e consumo de sorvete
Por fim, analisamos o interesse por sorvete durante as ondas de calor recentes no Brasil. Como era de se esperar, observamos forte correlação entre estas duas variáveis. Para o Rio Grande do Sul, a correlação foi de 0,75, para São Paulo, foi de 0,77. Já para Minas Gerais, o coeficiente de correlação encontrado foi de 0,83. O gráfico abaixo mostra a relação dessas variáveis em MG ao longo do último ano, com os picos observados de setembro a novembro, meses de ocorrência de extremos de temperatura no estado.

 

 

 

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