A captação de leite da Cotrisal avançou 27% em 2025 e atingiu 98 milhões de litros, marcando o maior volume já registrado pela cooperativa.
O resultado indica uma mudança estrutural na forma como as propriedades são geridas, com impacto direto na produtividade e na consistência da oferta de leite.
O crescimento não foi puxado por expansão isolada, mas por um modelo coordenado de gestão técnica. O programa Benchmarking Cotrisal, que reúne 105 fazendas, passou a operar com base em dados extraídos majoritariamente da plataforma SmartCoop, responsável por 85% das informações analisadas.
Esse monitoramento contínuo inclui indicadores operacionais como inseminações, pré-parto e vacas secas, permitindo decisões mais precisas no dia a dia das propriedades.
Na prática, a principal mudança está na padronização da gestão. O produtor deixa de atuar apenas por experiência e passa a trabalhar com indicadores comparáveis dentro de um grupo estruturado. Isso reduz variabilidade de desempenho e acelera a correção de desvios produtivos.
O avanço nos índices reprodutivos explica parte relevante do aumento na captação de leite. Entre 2023 e 2025, a taxa de serviço subiu de 54% para 67,6%, enquanto a taxa de prenhez passou de 21,3% para 26,1%. Ao mesmo tempo, a idade ao primeiro parto foi reduzida de 27,6 para 26 meses, com meta de chegar a 24 meses. Esse conjunto de ajustes amplia o número de vacas produtivas e reduz custos de recria, impactando diretamente o volume entregue à cooperativa.
Outro eixo central foi a conexão entre produtividade e rentabilidade. A introdução do indicador RMCA, que mede o retorno após o custo alimentar, permitiu identificar com clareza quais sistemas são mais eficientes. Fazendas em confinamento com três ordenhas alcançaram média de 42 litros por vaca, enquanto sistemas de semiconfinamento registraram 27 litros. A leitura desses dados orienta decisões técnicas e econômicas, evitando ganhos produtivos que não se traduzem em resultado financeiro.
Além dos indicadores zootécnicos, a gestão financeira passou a ter papel ativo. A adoção do Demonstrativo do Resultado do Exercício e o acompanhamento do custo operacional por litro ampliaram a visibilidade sobre a sustentabilidade do negócio. O programa também passou a incorporar alertas sobre custo do capital e endividamento, reforçando a necessidade de crescimento com equilíbrio financeiro.
Do ponto de vista da cadeia láctea, o caso sinaliza uma mudança relevante. O aumento da captação de leite deixa de depender apenas de fatores tradicionais e passa a estar ligado à capacidade de gestão dentro da fazenda. Isso tende a gerar uma oferta mais previsível e tecnicamente sustentada, com impacto direto na eficiência da indústria e na estabilidade do fornecimento.
A lógica do benchmarking, ao permitir comparação confidencial entre produtores, atua como mecanismo de ajuste contínuo. Mais do que premiar desempenho, o sistema expõe diferenças de resultado e orienta melhorias práticas, criando um ambiente de evolução técnica sem competição direta.
O recorde da Cotrisal, portanto, não é apenas um crescimento de volume, mas a evidência de um modelo produtivo mais controlado, onde dados, reprodução e gestão econômica passam a determinar o ritmo da atividade leiteira.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de GZH






