Exportações redesenharam o desempenho da pecuária capixaba em 2025, ao compensar a retração na produção de carne e evidenciar a fragilidade estrutural da cadeia leiteira no Espírito Santo.
A pecuária de corte registrou queda de 4,7% no volume produzido no primeiro semestre, passando de 41.477 toneladas em 2024 para 39.506 toneladas em 2025. Ainda assim, a receita externa cresceu 28,8% entre janeiro e setembro, saltando de US$ 21,5 milhões para US$ 27,7 milhões, segundo dados da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca.
O avanço ocorreu mesmo em um ambiente adverso. O dólar mais baixo e a saída temporária de importadores relevantes, como os Estados Unidos, poderiam indicar desaceleração. Os norte-americanos chegaram a aplicar sobretaxa de até 50% sobre a carne brasileira, revertida em novembro. Apesar disso, os embarques se mantiveram firmes e a China consolidou posição como principal destino, sustentando volumes e preços do boi.
Além da recomposição de mercados, a redução nos custos de insumos ampliou margens e ajudou a preservar a rentabilidade da atividade. Para a cadeia de corte, o sinal é claro: diversificação de destinos e eficiência operacional tornaram-se fatores críticos de resiliência.
O cenário do leite seguiu direção oposta. A captação estadual somou 119,5 milhões de litros no primeiro semestre, retração de 5,8% frente aos 126,8 milhões do mesmo período de 2024. A tendência de queda já havia se manifestado no ano anterior, quando a produção passou de 252,3 milhões de litros em 2023 para 241,5 milhões em 2024.
A redução ocorre em meio a uma transformação estrutural, especialmente no sul do estado, onde diminui o número de produtores ativos. Os que permanecem ampliam investimentos em genética, alimentação e manejo, elevando a exigência de capital e pressionando pequenos produtores a se adaptar para continuar na atividade.
A indústria de laticínios também enfrenta compressão de margens. Houve oscilações relevantes nos preços do leite UHT e da muçarela, enquanto outros derivados apresentaram maior estabilidade. O aumento de custos e a concorrência do leite em pó importado intensificaram a pressão sobre a produção local.
Como resposta, o governo estadual encaminhou projeto à Assembleia Legislativa para conceder crédito presumido de 100% do ICMS nas saídas interestaduais de derivados industrializados, incluindo leite UHT. Se aprovado, o imposto na prática será zerado para esses produtos. O objetivo é recuperar competitividade, preservar empregos e mitigar os impactos da crise no segmento.
Para tomadores de decisão, o contraste entre carne e leite em 2025 indica dinâmicas distintas dentro da mesma base pecuária. Enquanto as exportações fortalecem a bovinocultura de corte, a cadeia leiteira depende de ajuste estrutural e estímulo fiscal para sustentar sua viabilidade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de ES Brasil






