ESPMEXENGBRAIND
28 nov 2025
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🔎 MG debate o leite A2, já aprovado como funcional pela Anvisa, e produtores defendem estímulos para ampliar oferta e aderência da indústria.
🥛 Com genes mais frequentes em raças zebuínas, o leite A2 pode abrir nova rota de valor para Minas, apontam veterinários, laticínios e pesquisadores.
🥛 Com genes mais frequentes em raças zebuínas, o leite A2 pode abrir nova rota de valor para Minas, apontam veterinários, laticínios e pesquisadores.

A discussão sobre o leite A2 ganhou fôlego em Minas Gerais, onde parlamentares, pesquisadores, produtores e representantes da indústria defenderam a necessidade urgente de ampliar tanto a produção quanto o consumo desse tipo de leite, considerado mais fácil de digerir e já enquadrado pela Anvisa como alimento funcional.

O tema dominou a audiência pública promovida pela Comissão de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada no Campus Experimental Risoleta Neves da Epamig, em São João del-Rei.

Convocado pelo deputado Coronel Henrique (PL), o encontro buscou esclarecer dúvidas técnicas e destacar os caminhos para consolidar o A2 como alternativa econômica e sanitária em um estado que lidera a produção láctea no País, mas que ainda engatinha quando o assunto é segregação e certificação de rebanhos destinados à produção desse leite específico.

Os especialistas explicam que a principal diferença está no tipo de beta-caseína. Enquanto o leite A1, amplamente dominante no mercado brasileiro, pode liberar o peptídeo BCM-7 durante a digestão — associado a desconfortos como gases, estufamento e até desarranjos intestinais — o leite A2 não passa por esse processo, favorecendo uma digestão mais leve para parte dos consumidores. Apesar do comportamento distinto das proteínas, o valor nutricional e o teor de lactose são semelhantes.

A pesquisadora Débora Gomide, da Epamig, reforçou que os estudos conduzidos em Uberaba mostram uma vantagem genética no rebanho nacional. Segundo ela, mais de 70% das vacas Gir avaliadas expressavam apenas o gene A2. “Os zebuínos têm rusticidade e uma presença genética interessante, o que pode favorecer o produtor brasileiro que já trabalha com essas raças”, afirmou.

Mesmo assim, produzir leite A2 exige processos adicionais: genotipagem das vacas, separação dos animais positivos, ordenha segregada e transporte independente até a indústria. Coronel Henrique defendeu a criação de programas específicos e certificações estaduais para garantir autenticidade e abertura de mercado. “Nosso papel é abrir caminhos: apoiar os multiplicadores, dialogar com os laticínios e, principalmente, permitir que o pequeno produtor tenha acesso a programas de inseminação e testes genéticos”, afirmou o parlamentar durante a audiência.

O setor privado também marcou presença. A presidente da Fair Food, Flávia Fontes, destacou o potencial de expansão desse nicho. Segundo ela, entre 2023 e 2024 o consumo de leite A2 cresceu 130%, e a empresa projeta o mesmo salto para o ciclo 2024–2025. “O leite A2 é naturalmente mais fácil de digerir e hoje já temos autorização da Anvisa para comunicar a funcionalidade na embalagem, o que traz segurança ao consumidor”, disse. Para Flávia, o principal gargalo é a percepção de que o produtor “não tem animais A2”, mito que ela faz questão de rebater: “Todo rebanho tem vacas A2, a diferença está na proporção”.

A indústria também trouxe relatos práticos. O Laticínio Porto Rico, de Antônio Carlos, trabalha com leite convencional e leite A2, além de queijos produzidos com o tipo funcional. Aislan Furtado Franco, responsável pelo empreendimento, afirmou que o retorno econômico ainda oscila, mas que a valorização do produto compensa o investimento. “O mercado cresce, mas falta informação para o consumidor. A demanda precisa acompanhar o esforço de segregação”, alerta.

Pesquisadores reforçam que esse processo de segregação é indispensável: os animais A2 devem ser ordenhados primeiro, o leite deve ir para um tanque exclusivo, e cada etapa precisa ser rastreada. É justamente esse nível de controle que garante que o produto final mantenha a integridade da proteína A2, base de sua proposta de valor.

Ao final da audiência, o consenso é que Minas Gerais pode assumir a liderança nacional também nessa categoria, repetindo o protagonismo histórico no setor lácteo. Para isso, porém, será necessário ampliar o acesso à tecnologia genética, criar programas de certificação e comunicar melhor ao consumidor as diferenças entre A1 e A2 — ponto sensível identificado tanto por técnicos quanto por representantes dos laticínios.

Com a rusticidade das raças zebuínas, a presença genética favorável e uma demanda crescente, especialistas veem no leite A2 uma rota de diferenciação competitiva para o produtor mineiro e uma oportunidade para agregar valor em um mercado cada vez mais segmentado.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Assembleia Legislativa de Minas Gerais

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