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16 jan 2026
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EPAMIG explica como a genética define a produção de leite A2 e sua digestibilidade 🧪
A diferença do leite A2 está na beta-caseína e na genética das vacas, segundo especialistas 🐄
A diferença do leite A2 está na beta-caseína e na genética das vacas, segundo especialistas 🐄

O leite A2 tem apresentado crescimento consistente no Brasil ao se posicionar como alternativa para consumidores que relatam desconfortos gastrointestinais associados ao consumo de leite convencional.

A base dessa diferenciação não está relacionada à lactose, mas à composição genética do rebanho e à estrutura da proteína beta-caseína presente no leite.

No leite convencional, podem estar presentes duas variantes da beta-caseína: A1 e A2. Já o leite A2A2 contém exclusivamente a beta-caseína A2. Essa distinção tem impacto direto no processo digestivo de parte dos consumidores, especialmente aqueles que relatam sintomas mesmo sem diagnóstico de intolerância à lactose.

Segundo Mariana Alves Silva, médica veterinária e assessora técnica da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), a diferença ocorre durante a digestão da proteína. “A beta-caseína A1, quando digerida, libera um peptídeo chamado BCM-7, que em pessoas sensíveis pode causar desconfortos como sensação de má digestão e estufamento”, explicou. De acordo com a especialista, o leite A2 não libera esse peptídeo, o que contribui para melhor tolerabilidade.

A produção de leite A2, portanto, não envolve alterações no manejo alimentar dos animais nem mudanças no processamento industrial, mas depende exclusivamente da genética das vacas. Para o produtor interessado nesse segmento, o primeiro passo é a identificação genética do rebanho.

Essa identificação é realizada por meio de testes moleculares, como PCR ou genotipagem, que permitem classificar os animais conforme o tipo de beta-caseína que produzem. Os resultados enquadram as vacas em três categorias: A1A1, que produzem leite convencional; A1A2, que produzem leite com ambas as variantes; e A2A2, únicas capazes de produzir exclusivamente o leite A2.

A pesquisadora Débora Gomide, da EPAMIG, destaca que a frequência do gene A2 é maior em raças zebuínas. “Raças como Gir e Nelore apresentam maior predominância da genética A2A2”, afirmou. Ensaios conduzidos nos Campos Experimentais da EPAMIG em Uberaba e Leopoldina confirmaram essa característica, com elevada presença de animais A2A2 nessas unidades.

Essa predominância genética em zebuínos facilita a adoção do sistema de produção de leite A2 em regiões onde essas raças já estão consolidadas. No entanto, a formação de um rebanho especializado exige planejamento genético contínuo.

A recomendação técnica é realizar a testagem das matrizes e adotar exclusivamente sêmen de touros classificados como A2A2. De acordo com Mariana Alves Silva, a priorização de matrizes e filhas portadoras dessa genética permite a conversão progressiva do rebanho. “Em duas ou três gerações, é possível obter um rebanho totalmente A2A2”, explicou.

Durante esse processo, os animais classificados como A1A1 podem ser descartados de forma gradual ou mantidos na produção de leite convencional, sem interferir na linha destinada ao leite A2. Já os animais A1A2 podem ser utilizados de forma estratégica, desde que cruzados com touros A2A2, reduzindo a ocorrência do gene A1 nas gerações seguintes.

Do ponto de vista técnico, a produção de leite A2 exige atenção à segregação da produção, garantindo que apenas o leite proveniente de vacas A2A2 seja destinado a essa categoria. A rastreabilidade genética e o controle do rebanho são fundamentais para assegurar a conformidade do produto.

A experiência acumulada pela EPAMIG indica que a produção de leite A2 está diretamente associada à genética dos animais e à adoção de critérios técnicos claros na seleção do rebanho. Nesse contexto, o leite A2 se estabelece como um produto definido por características biológicas específicas, cuja viabilidade depende da identificação genética e do manejo reprodutivo ao longo do tempo.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Rádio Itatiaia

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