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6 out 2026
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Uma pergunta de um pecuarista do Paraná colocou o leite brasileiro frente a frente com o padrão dos EUA e da Europa. A resposta vale para toda fazenda 🥛
A genética conta, mas não é tudo. Um especialista explica o que realmente pesa na hora de comparar o leite do Brasil com o do exterior. 🐄
A genética conta, mas não é tudo. Um especialista explica o que realmente pesa na hora de comparar o leite do Brasil com o do exterior 🐄

Ter vacas A2A2 no rebanho não garante, por si só, um leite de melhor qualidade.

A avaliação é do zootecnista Guilherme Marquez, especialista em pecuária de leite, ao responder se o leite A2A2 brasileiro é diferente do produzido em fazendas dos Estados Unidos e da Europa. A dúvida mostra como esse nicho de mercado já desperta questionamentos entre os produtores.

A pergunta partiu do pecuarista Paulo Henrique, da Fazenda Boa Sorte, em Guarapuava (PR), e foi respondida no quadro Giro do Boi Responde. Ele quis saber se há diferença de qualidade sanitária e nutricional entre o leite A2A2 feito no Brasil e o das propriedades norte-americanas e europeias.

Segundo Marquez, o termo A2A2 diz respeito apenas a uma variação genética da beta-caseína, componente da proteína do leite. A genotipagem assegura uma proteína de melhor digestibilidade, mas essa característica, sozinha, não significa alta qualidade sanitária. É um atributo do animal, não um atestado do produto que chega ao tanque.

O que mede a qualidade de fato, afirma o especialista, são indicadores zootécnicos e microbiológicos rigorosos: a Contagem de Células Somáticas (CCS), a Contagem Bacteriana Total (CBT) e os teores de gordura e proteína total. É nesses números, e não apenas no genótipo, que a qualidade se confirma.

Daí a resposta de Marquez à comparação com o exterior: a pecuária brasileira tem plena capacidade de entregar um produto no mesmo nível ou superior ao europeu e ao americano. A condição é que as propriedades sigam as instruções normativas e os padrões estabelecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

Na prática, isso começa na sala de ordenha. Controlar CBT e CCS exige limpeza rigorosa dos tetos, desinfecção constante do sistema e troca periódica das borrachas e teteiras da ordenhadora. Depois vêm a alimentação e a refrigeração: nutrição equilibrada e resfriamento imediato e adequado no tanque de expansão evitam a proliferação de bactérias e preservam o valor do alimento para o laticínio.

O especialista aponta ainda uma vantagem do produtor brasileiro. Com clima favorável, área e insumos, o país consegue produzir leite a pasto com alto teor de sólidos e sustentabilidade, um diferencial competitivo frente aos sistemas confinados do Hemisfério Norte.

A conta fecha quando genética e manejo andam juntos. Segundo Marquez, ao combinar a seleção das vacas para a proteína A2A2 com higiene estrita na ordenha e cumprimento das normas sanitárias, o produtor entrega um leite de padrão internacional, o que garante processamento rápido pela indústria e máxima rentabilidade na fazenda.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Giro do Boi

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