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15 out 2026
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15 out 2026
Preço ao produtor ficou praticamente estável em agosto, enquanto relação de troca piorou 4%. Importações de setembro atingem o maior volume mensal de 2026 até então.
Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.
Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite.

A estabilidade do preço do leite não impediu a perda de poder de compra do produtor brasileiro em agosto.

Com a remuneração média em R$ 2,89 por litro, praticamente inalterada na comparação mensal, foi necessário vender 4% mais leite para adquirir uma mistura de milho e farelo de soja. No comércio exterior, as importações cresceram em setembro e contribuíram para um déficit acumulado de US$ 834 milhões na balança de lácteos.

Os dados integram o Boletim Indicadores Leite e Derivados de outubro de 2026, do Centro de Inteligência do Leite da Embrapa Gado de Leite. A publicação reúne indicadores com períodos distintos: agosto para preços ao produtor e relação de troca, setembro para varejo e comércio exterior e outubro para as cotações internacionais de leite em pó.

Mais leite para comprar alimento

Em agosto, foram necessários 28,5 litros de leite para adquirir 60 quilos de uma mistura composta por 70% de milho e 30% de farelo de soja. Em julho, eram 27,4 litros. O aumento dessa relação representa uma deterioração nas condições de compra dos dois ingredientes usados na alimentação do rebanho. “O indicador subiu 4% no mês, indicando piora no poder de compra doprodutor”, informa o Centro de Inteligência do Leite no boletim.

O movimento interrompeu a sequência de melhora observada entre janeiro e julho, quando a quantidade necessária caiu de 40,7 para 27,4 litros. Apesar da piora mensal, agosto ainda apresentou condição mais favorável que a do mesmo mês de 2025, quando eram necessários 29,6 litros. O boletim aponta redução de 4% na comparação anual.

A relação mede o poder de compra frente à mistura de grãos; não representa, isoladamente, a rentabilidade da propriedade, que também depende de produtividade, volume vendido e demais custos.

Preço estável, diferenças entre Estados

A média nacional do preço líquido ao produtor aumentou apenas 0,04% em agosto ante julho, embora tenha ficado 13,7% acima de agosto de 2025. Os valores correspondem ao leite entregue em agosto e pago no mês seguinte.

Entre os seis Estados apresentados no gráfico, Minas Gerais registrou o maior preço, de R$ 3,04 por litro, seguido por São Paulo, com R$ 2,98; Goiás, R$ 2,97; e Paraná, R$ 2,92. Santa Catarina e Rio Grande do Sul ficaram abaixo da média nacional, com R$ 2,78 e R$ 2,65, respectivamente.

A diferença entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul foi de R$ 0,39 por litro. Enquanto Goiás teve alta mensal de 1%, Paraná de 0,8%, Minas Gerais de 0,7% e São Paulo de 0,2%, Santa Catarina registrou queda de 0,5% e o Rio Grande do Sul, de 0,1%.

Importações chegam ao maior volume do ano

As compras brasileiras de leite e derivados no exterior somaram 243,1 milhões de litros equivalentes em setembro, aumento de 8,5% sobre agosto e de 26,4% frente a setembro de 2025. Foi o maior volume mensal de 2026 até então, conforme a série apresentada no boletim.

O boletim mostra uma mudança em relação ao início do ano. Em janeiro e fevereiro, as importações ficaram abaixo dos respectivos meses de 2025. De março a setembro, superaram os volumes do ano anterior em todos os meses.

As exportações, por sua vez, totalizaram 5,4 milhões de litros equivalentes em setembro, segundo o gráfico. Com isso, a diferença entre entradas e saídas naquele mês alcançou aproximadamente 237,7 milhões de litros equivalentes.

No acumulado de 2026 até setembro, o saldo da balança comercial de lácteos

registrou déficit de US$ 834 milhões, informa o Centro de Inteligência do Leite. Em volume, o resultado negativo correspondeu a 1,882 bilhão de litros equivalentes. A unidade permite comparar diferentes derivados a partir de sua conversão em leite.

Varejo quase estável, mas acima de 2025
A cesta de lácteos acompanhada pelo boletim recuou 0,1% no varejo em setembro. A pequena variação mensal, porém, não eliminou a alta de 6,3% acumulada em 12 meses.

O leite UHT exemplifica essa diferença: caiu 0,3% no mês, mas permaneceu 10,8% mais caro que em setembro de 2025. O iogurte teve aumento mensal de 0,2% e anual de 9,1%. Nos queijos, houve queda de 0,1% no mês e alta de 3,8% em 12 meses.

Leite em pó e manteiga subiram 0,3% em setembro, embora tenham registrado recuos anuais de 1,3% e 2,8%, respectivamente. O leite condensado variou 0,03% no mês e caiu 0,8% na comparação anual.

Leite em pó desnatado sobe no exterior

No mercado internacional, a cotação de outubro apresentada para o leite em pó desnatado foi de US$ 3.847 por tonelada, alta de 6,9% sobre setembro. O integral chegou a US$ 3.605 por tonelada, aumento de 0,5%.

A série mostra que o desnatado passou de US$ 2.590 por tonelada em janeiro para US$ 3.847 em outubro, enquanto o integral saiu de US$ 3.428 para US$ 3.605. Assim, a valorização internacional foi mais intensa no desnatado, que ultrapassou a cotação do integral em setembro e ampliou essa diferença em outubro.

*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por O Presente Rural 

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