ESPMEXENGBRAIND
27 mar 2026
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📊 Estrutura une capacitação técnica e bem-estar animal.
🔬 Centro de Excelência amplia formação e agrega valor ao leite
🔬 Centro amplia formação e agrega valor ao leite.

O projeto de um Centro de Excelência do Leite em Mato Grosso do Sul reposiciona a formação técnica e o manejo dentro da cadeia láctea regional.

Estruturado como uma escola prática, o centro pretende cobrir desde a ordenha correta até técnicas avançadas de produção de derivados, incorporando o bem-estar animal como eixo operacional.

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Núcleo Girolando MS, a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul e o Sicoob, com instalações previstas no Parque de Exposições Laucídio Coelho. Ainda sem data divulgada, o projeto inclui espaços de capacitação e laboratórios voltados a diferentes produtos lácteos, o que indica uma abordagem integrada entre produção primária e agregação de valor.

O modelo proposto atua diretamente sobre um dos gargalos recorrentes da atividade: a padronização do manejo. Segundo Alessandro Oliva Coelho, presidente do Núcleo Girolando MS, o desempenho produtivo está condicionado ao tratamento individualizado dos animais. A ênfase no manejo sem estresse, sem gritos ou agressões, aponta para um alinhamento entre bem-estar e eficiência, com impacto direto sobre produtividade e longevidade do rebanho.

Nesse contexto, a raça Girolando ocupa posição central. Responsável por cerca de 80% da produção de leite no Brasil, combina rusticidade e adaptação ao clima tropical, herdadas do Gir, com a alta produção leiteira do Holandês. O diferencial produtivo é relevante: enquanto outras raças apresentam médias entre quatro e sete litros por dia, a Girolando alcança entre 18 e 20 litros, com casos individuais superiores a 60 litros. A longevidade também se destaca, como exemplificado por animais com mais de uma década ainda em produção.

Além do eixo produtivo, o movimento dialoga com a organização da demanda. O programa municipal Leite Fresco, aprovado em primeira votação em Campo Grande, prevê a compra de leite local para abastecimento, principalmente, da merenda escolar. A medida cria previsibilidade de renda ao produtor ao longo do ano e reforça a conexão entre produção regional e consumo institucional.

No entanto, o ambiente competitivo permanece pressionado. A entrada de leite em pó importado a preços considerados abaixo do custo motivou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil a solicitar investigação por dumping. A disputa por preço afeta diretamente a indústria, que tende a priorizar insumos mais baratos, e pode gerar distorções ao longo da cadeia.

Outro ponto sensível é a composição dos produtos importados. Questionamentos sobre a presença de traços de outros ingredientes em produtos rotulados como leite em pó levantam dúvidas sobre padronização e fiscalização, com possível impacto na percepção do consumidor.

Em paralelo, a regulamentação que restringe o uso da palavra “leite” a produtos de origem animal delimita o campo competitivo frente a alternativas vegetais, influenciando rotulagem e posicionamento de mercado.

A convergência entre capacitação técnica, genética, organização da demanda e pressão competitiva externa desenha um cenário onde eficiência produtiva e diferenciação passam a ser determinantes. O Centro de Excelência do Leite surge, nesse contexto, como uma ferramenta operacional para elevar padrão, reduzir variabilidade e sustentar competitividade na origem.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de PP

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