A Nestlé lançou no Brasil o Vital, nova marca de suplementos voltada ao público acima de 40 anos, em um movimento que amplia a estratégia da companhia em nutrição e saúde.
O projeto recebeu investimento de cerca de 30 milhões de francos suíços, aproximadamente R$ 203 milhões, e posiciona o país como ponto de partida global para a nova marca.
O Vital chega inicialmente ao mercado brasileiro em duas versões em pó, uma para consumo durante o dia e outra para o período noturno. O produto é comercializado em latas de 400 g e 800 g, com preços sugeridos de R$ 89,90 e cerca de R$ 150. A produção ocorre no Brasil, com fabricação na unidade de Araçatuba, em São Paulo, e previsão de exportação para Europa, América Latina e Ásia ainda no primeiro ciclo de expansão internacional.
Segundo a empresa, o suplemento combina micronutrientes e macronutrientes em uma única formulação. A versão diurna inclui taurina associada à proposta de energia, enquanto a noturna contém triptofano e magnésio, ligados ao relaxamento e à qualidade do sono. Ambas as versões também incluem colina, colágeno e fibra.
Quando preparado com água, o produto oferece 15 gramas de proteína por porção, número que sobe para 23 gramas quando preparado com leite. A formulação inclui proteína híbrida e seis gramas de fibra.
Estratégia de mercado
A Nestlé aposta que o Vital ajude a ampliar o mercado brasileiro de suplementos voltados à longevidade, estimado em cerca de R$ 1 bilhão. A meta da companhia é alcançar 10% desse segmento no primeiro ano de comercialização.
Hoje, a empresa já possui presença dominante nesse mercado com o Nutren Senior, que responde por cerca de 60% de participação no país. O Vital entra como complemento de portfólio, direcionado a um público mais jovem dentro da categoria, com indicação para consumidores 40+ e comunicação associada ao autocuidado.
O produto começou a chegar ao varejo no final de janeiro e ganhou distribuição mais ampla em fevereiro. A estratégia inicial prioriza o canal farma, mas inclui também varejo alimentar e comércio eletrônico. Entre os canais já abastecidos estão Amazon, Mercado Livre, redes de farmácias e a rede Pague Menos, com expansão gradual para outras regiões do país.
Brasil como plataforma global
Embora o desenvolvimento do Vital tenha sido conduzido em nível global, a operação brasileira participou da construção da marca, incluindo discussões sobre embalagem, benefícios e posicionamento.
O lançamento se apoia em uma pesquisa conduzida pela Kantar em seis mercados, com 9 mil entrevistados. O estudo identificou duas demandas principais entre consumidores de meia-idade: necessidade de energia ao longo do dia e melhora da qualidade do sono.
Segundo os dados apresentados pela empresa, 71% dos entrevistados desse grupo etário dizem estar insatisfeitos com sua saúde física e 65% com a saúde mental.
Mudança de foco no portfólio
O lançamento do Vital ocorre em paralelo a uma reorganização estratégica da Nestlé, que vem concentrando investimentos em categorias ligadas à nutrição, saúde e proteína.
A companhia informou que pretende dobrar o número de categorias de alimentos proteinados em 2026. Em 2024, o portfólio nessa área contava apenas com Nutren. Em 2025, passou a incluir cinco frentes, entre elas Nescafé Pró Energy, Aveia Proteína, Nescau Protein e versões prontas para beber de Nutren.
Globalmente, a Nestlé registrou vendas de 89,5 bilhões de francos suíços em 2025, com crescimento orgânico de 3,5%. No mesmo período, o lucro líquido caiu 17%, para 9,03 bilhões de francos suíços.
Dentro da estratégia atual, café, petcare e nutrição respondem por cerca de 70% das vendas globais da companhia. A empresa também integrou as áreas de Nutrition e Nestlé Health Science em um único negócio, buscando simplificação e maior foco em produtos ligados à saúde, suplementação e bem-estar.
Nesse contexto, o Vital amplia a presença da empresa em produtos voltados à longevidade e reforça o posicionamento do Brasil como base de produção e lançamento para novas categorias.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Exame






