ESPMEXENGBRAIND
14 jan 2026
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Recall de fórmulas infantis por risco de toxina já afeta 46 países e pode gerar perdas de até €1,3 bilhão para a Nestlé 🧪
Recall por cereulide leva à suspensão de lotes, pedidos de desculpas do CEO e alerta às famílias ⚠️
Recall por cereulide leva à suspensão de lotes, pedidos de desculpas do CEO e alerta às famílias ⚠️

O recall global de fórmulas infantis da Nestlé por risco de contaminação com a toxina cereulide tornou-se um dos episódios sanitários e reputacionais mais relevantes para a indústria de nutrição infantil nos últimos anos, com impacto financeiro estimado em até €1,3 bilhão e desdobramentos regulatórios em dezenas de países.

A própria Nestlé anunciou a retirada preventiva de lotes de fórmulas infantis após identificar um possível risco de presença de cereulide, toxina produzida pela bactéria Bacillus cereus, conhecida por causar náuseas, vômitos persistentes, diarreia e letargia. O movimento começou na Europa e, ao longo da semana seguinte, foi ampliado para Ásia, América Latina, Oriente Médio e África, alcançando 46 países, segundo informações reportadas pela imprensa internacional.

Entre as marcas envolvidas no recall estão NAN, BEBA, Guigoz, SMA, Alfamino, Nestogeno e linhas Nan Supreme, todas relevantes no portfólio global e regional da companhia. Analistas do Jefferies estimaram que cerca de 1,3% das vendas globais da Nestlé podem ser afetadas, o que representa uma exposição aproximada de 1,2 bilhão de francos suíços, valor próximo a €1,3 bilhão em perdas potenciais de receita.

No Brasil, o episódio ganhou contornos concretos com a confirmação de dois casos de intoxicação em bebês no Distrito Federal, segundo a Secretaria de Saúde local. As crianças apresentaram sintomas como vômitos persistentes e diarreia após o consumo de fórmulas infantis produzidas pela Nestlé Brasil. As famílias interromperam o uso dos produtos ao identificar que as latas pertenciam a lotes sob recall. De acordo com as autoridades de saúde, os bebês evoluem bem e não houve agravamento clínico.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, de forma preventiva, a proibição da venda, distribuição e uso de determinados lotes de fórmulas infantis fabricadas pela Nestlé Brasil. A decisão foi tomada após comunicação da própria empresa à agência reguladora, informando o risco identificado. A vigilância sanitária do Distrito Federal notificou drogarias, estabelecimentos de saúde e pontos de venda sobre o recolhimento e alertou que a comercialização de produtos suspensos está sujeita a autuações conforme a legislação vigente.

Autoridades sanitárias reforçaram que os casos registrados no DF envolvem produtos adquiridos antes da implementação do recall, e orientaram famílias e cuidadores a verificarem cuidadosamente os números de lote das fórmulas em casa. A cereulide, segundo explicações técnicas divulgadas por órgãos de saúde, é uma toxina resistente ao calor, o que significa que processos térmicos comuns não eliminam seu potencial risco, reforçando a necessidade de recolhimento imediato.

Do ponto de vista corporativo, o recall representa um revés adicional para a Nestlé após um ano considerado desafiador. Em pronunciamento público, o CEO global Philipp Navratil pediu desculpas aos pais, cuidadores e clientes pelo transtorno causado. Segundo o executivo, todos os recalls necessários já foram anunciados e a empresa trabalha para garantir suporte aos consumidores afetados, além de cooperar com as autoridades sanitárias em cada país.

Analistas de mercado destacam que, além do impacto direto nas vendas, o episódio pode gerar efeitos reputacionais duradouros, especialmente em um segmento altamente sensível como o de nutrição infantil, no qual confiança, rastreabilidade e resposta rápida a riscos são fatores críticos. A leitura predominante é que a atuação preventiva e a comunicação transparente ajudam a mitigar danos, mas não eliminam o risco de pressão adicional sobre marcas consolidadas.

A Nestlé informou que mantém canais oficiais de orientação aos consumidores, com instruções sobre identificação de lotes, procedimentos de devolução e substituição de produtos. As autoridades sanitárias, por sua vez, seguem monitorando o caso e reforçam que o recall permanece em vigor enquanto durar o risco identificado.

O episódio evidencia, mais uma vez, como eventos sanitários localizados podem rapidamente ganhar escala global em cadeias alimentares altamente integradas, impondo desafios simultâneos à indústria, aos reguladores e aos sistemas de vigilância em saúde pública.

 

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