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26 fev 2026
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Nutrição cresce em volume, mas preço médio cai e trava faturamento no canal farma ⚠️
Concentração, recall e marcas próprias redefinem a nutrição nas farmácias 🏪
Concentração, recall e marcas próprias redefinem a nutrição nas farmácias 🏪

A nutrição no canal farma cresce em volume, mas enfrenta estagnação de receita e queda de preço médio no Brasil e na América Latina.

O movimento combina alta entre 4% e 8% em unidades vendidas com faturamento praticamente estável, sinalizando erosão de valor em uma categoria altamente concentrada.

O mercado latino-americano de nutrição adulta e infantil movimenta cerca de US$ 2,8 bilhões ao ano, sendo que o Brasil responde por aproximadamente 40% desse total. Ainda assim, o desempenho em valor não acompanha o avanço físico. A dinâmica atual indica que o principal vetor de crescimento é a unidade vendida, não o ticket médio.

A concentração é um traço estrutural. Nestlé e Danone somam cerca de 90% das vendas no Brasil. Os 10% restantes se distribuem entre multinacionais como Abbott e Johnson & Johnson, além de fabricantes locais e regionais. Empresas brasileiras como Cimed e Reckitt competem com grupos da Argentina, Uruguai e outros países, ampliando presença com estratégia centrada em preço.

O ambiente competitivo ganhou tensão adicional após recalls globais de fórmulas infantis de Nestlé e Danone por presença da toxina cereulida, além de mudanças executivas na divisão de nutrição da Abbott. Embora a Danone tenha informado que nenhuma fórmula infantil comercializada no Brasil esteja envolvida nos lotes afetados, os episódios ampliam a sensibilidade do consumidor e elevam o risco reputacional em uma categoria baseada em confiança.

No plano demográfico, a queda da natalidade limita o avanço da nutrição infantil, enquanto a população acima de 60 anos migra para suplementos alimentares e nutrição esportiva fora das categorias tradicionais de nutrição clínica. Esse deslocamento indica perda de continuidade no ciclo de vida do consumidor, com dificuldade das grandes companhias em manter vínculo após a fase pediátrica.

A pressão também vem das marcas próprias e de fabricantes locais, que crescem em países como Peru, México e Colômbia com propostas mais acessíveis. Em cenários de renda comprimida, o consumo migra para alternativas de menor preço, reforçando a disputa por valor.

Apesar de liderar em tamanho, o Brasil apresenta consumo per capita inferior ao de outros mercados da região. O uso de fórmulas nutricionais é mais associado a situações agudas, como pós-cirurgias ou condições específicas de saúde, e menos incorporado à rotina alimentar. Essa característica limita recorrência, mas também revela espaço para reposicionamento.

No varejo farmacêutico, a categoria combina relevância e complexidade operacional. Produtos ocupam área significativa de gôndola e exigem giro consistente. Rupturas comprometem vendas, já que o hábito de compra nem sempre é contínuo.

A perspectiva regional permanece positiva em função do tamanho populacional da América Latina, estimado em cerca de 650 milhões de pessoas, com o Brasil representando aproximadamente 30%. O avanço sustentável, porém, depende de inovação e da entrada em novas áreas terapêuticas ou de consumo. Sem diferenciação, a tendência é manter a disputa centrada em preço em categorias já maduras.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de PF

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