O brasileiro come, em média, 6,5 quilos de queijo por ano. O argentino come quase o dobro: 12 quilos.
O americano, 19,1 quilos. O francês, 21,7 quilos. Essa comparação, apresentada durante um encontro da cadeia leiteira em Curitiba, não é só uma curiosidade de consumo: se o Brasil igualasse o patamar argentino, precisaria de mais 11 bilhões de litros de leite por ano só para abastecer esse mercado.
O dado foi levado pelo engenheiro agrônomo Valter Galan, da MilkPoint Ventures, empresa especializada em inteligência de mercado, que participou de forma online da 4ª reunião do Grupo Técnico responsável pelo Plano de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite no Paraná (PDCL), realizada na sede da Ocepar.
Segundo ele, o entrave não é tecnológico: os percentuais de proteína e gordura do leite brasileiro permanecem praticamente os mesmos de 20 anos atrás. “Não é falta de tecnologia ou sinalização sobre o que se quer em qualidade do leite, mas é um dos grandes desafios em que o mercado precisa agir junto”, afirmou, apontando produtores e indústrias como protagonistas dessa equação.
O encontro, coordenado por Elias Zydek — presidente do Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR) e à frente da Frimesa Cooperativa Central —, chegou à sua quarta etapa. “Em nossas reuniões temos trabalhado alguns eixos.
O primeiro foi o da produção, o segundo o do mercado e agora tratamos da indústria”, explicou Zydek. Nesta fase, representantes de indústrias de laticínios do Estado foram convidados a apresentar suas empresas e os desafios que cada uma enfrenta.
O panorama de Galan também mostrou como o mapa da produção nacional mudou. Em 1990, o Sudeste concentrava 47,8% do leite produzido no país, contra 22,5% do Sul. Em 2024, essa relação se inverteu: o Sul passa a liderar com 33,6%, seguido de perto pelo Sudeste, com 33%. O Paraná, apesar do avanço da região, ainda responde por 13% da produção nacional, atrás de Minas Gerais, que concentra 27%.
Para o coordenador técnico do Grupo Técnico, Alexandre Monteiro, analista de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, o objetivo do PDCL não é reinventar a roda. “A ideia não é inventar necessariamente coisas novas, apesar de algumas coisas novas terem surgido nas últimas reuniões, mas queremos convergência, convergir as ações, tentar somar aquilo que a gente tem discutido para a cadeia do leite”, resumiu.
O próximo passo, segundo Zydek, é preparar o esboço do plano e convocar um fórum com todos os atores da cadeia para coletar sugestões antes de fechar o texto final. “O plano precisa ser apresentado como trabalho da cadeia produtiva e que sirva de diretriz para os órgãos que coordenam a produção, os que fiscalizam, os que atuam nas pesquisas e para as indústrias otimizarem os ativos”, destacou.
A meta declarada é clara: tornar a cadeia leiteira paranaense mais competitiva e capaz de exportar cada vez mais.
*Produzido pela eDairyNews, com informações publicadas por Paraná Cooperativo






