O Plano de Incentivos à Exportação de Lácteos é a nova aposta da cadeia produtiva da região Sul para reduzir a dependência do mercado interno e ampliar a competitividade do leite brasileiro.
Hoje, as exportações representam apenas 0,34% da produção nacional, enquanto 8% do leite consumido no país são importados de países do Mercosul, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
A proposta foi apresentada em Curitiba pela Aliança Láctea Sul Brasileira, fórum público-privado que reúne entidades dos três Estados do Sul. O objetivo é estruturar, ampliar e consolidar a capacidade exportadora da cadeia láctea até 2030, formando um bloco fornecedor de leite e derivados com padrões semelhantes de qualidade para os mercados interno e externo.
O diagnóstico parte de um dado central: os três Estados da região respondem por 43% da produção brasileira de leite. Para a Aliança, transformar o Sul em região exportadora pode aliviar a pressão sobre o mercado doméstico, especialmente em momentos de desequilíbrio entre oferta e demanda, quando a disputa por espaço interno pressiona preços e margens.
O plano identifica dez gargalos que limitam a competitividade. Entre os produtivos, estão a escala reduzida das propriedades, a baixa eficiência agronômica e zootécnica, a qualidade do leite e o rendimento industrial em sólidos. Também pesam a volatilidade de preços e a baixa coordenação entre os elos da cadeia.
No campo estrutural, os entraves incluem problemas sanitários, como brucelose e tuberculose, capacidade industrial ociosa e deficiências de infraestrutura, especialmente em energia, conectividade e estradas rurais. Esses fatores impactam diretamente os custos logísticos e a competitividade frente ao mercado internacional.
O plano propõe a formação de polos produtivos, investimentos industriais e ações de acesso a mercado. Entre os mecanismos previstos estão a formalização da cadeia em modelo de integração vertical, linhas de crédito com juros, prazos e carência diferenciados, além de salvaguardas para equalização de amortizações em momentos de desalinhamento entre preços internos e internacionais.
Também estão previstos incentivos fiscais para implantação de projetos, incluindo isenção de tributos sobre equipamentos destinados às indústrias e aos produtores inseridos na estratégia exportadora.
Para a cadeia, a lógica é clara: alinhar os custos de produção aos padrões internacionais é condição para acessar o mercado externo de forma consistente. A ampliação das exportações é vista como forma de reduzir a volatilidade dos preços do leite e a vulnerabilidade às importações, criando dois mercados de atuação para o produto brasileiro.
A estratégia depende de coordenação entre produção, indústria e poder público. O governo do Paraná sinalizou apoio à viabilização dos investimentos necessários, com foco em infraestrutura rural, especialmente na recuperação de estradas, considerada essencial para reduzir custos e ampliar competitividade.
Para os agentes da cadeia láctea, o plano altera o eixo estratégico do setor na região Sul. A exportação deixa de ser oportunidade pontual e passa a ser tratada como instrumento de estabilidade e posicionamento competitivo. O desafio, agora, está na execução dos ajustes produtivos, sanitários, industriais e logísticos que sustentem esse novo patamar.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal CNA Brasil






