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27 jan 2026
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Gulfood 2026 conecta oferta latino-americana a mercados que importam mais do que produzem 🌐
Dubai concentra decisões que impactam preços, destinos e contratos do lácteo global
Dubai concentra decisões que impactam preços, destinos e contratos do lácteo global 🧭

Gulfood 2026 acontece em Dubai entre 26 e 30 de janeiro a mais de 13 mil quilômetros da América Latina.

Ainda assim, poucas feiras têm hoje um impacto tão direto sobre decisões estratégicas do setor lácteo latino-americano. Não se trata de proximidade geográfica, mas de centralidade comercial: Dubai concentra compradores, importadores e distribuidores de mercados que dependem estruturalmente de alimentos importados.

A edição 2026 marca um ponto de inflexão. Pela primeira vez, a Gulfood se expande para duas sedes — o Dubai World Trade Centre (DWTC) e o Dubai Exhibition Centre (DEC), na Expo City Dubai — totalizando mais de 280 mil metros quadrados, 8.500 expositores, 195 países e cerca de 1,5 milhão de produtos. A escala não é um detalhe: ela reflete onde o comércio global de alimentos está sendo decidido.

Para a América Latina, e em especial para o setor lácteo, a relevância nasce de uma equação simples. Os países do Golfo, liderados pelos Emirados Árabes Unidos, importam mais de 70% de seus alimentos.

Dubai atua como hub logístico e comercial para o Oriente Médio, Norte da África e parte da Ásia, funcionando como ponto de reexportação e redistribuição regional. Em outras palavras: quem fecha negócios em Dubai raramente vende apenas para Dubai.

No caso dos lácteos, essa dependência externa é ainda mais clara. As vendas varejistas de produtos lácteos nos Emirados Árabes Unidos alcançaram US$ 2,3 bilhões em 2025, com projeção de crescimento anual composto de 4,7% até 2030.

A produção local não acompanha esse ritmo, o que sustenta uma demanda estrutural por leite em pó, queijos, manteiga e ingredientes lácteos importados.

É nesse contexto que a Gulfood deixa de ser uma feira de exposição e passa a operar como um ambiente de tomada de decisão.

Compradores do Golfo, da África e do Sul da Ásia usam o evento para renegociar contratos, diversificar fornecedores e reduzir riscos de abastecimento. Para exportadores latino-americanos, isso significa acesso concentrado a mercados que valorizam estabilidade, volume e previsibilidade.

A América Latina chega a Dubai com vantagens competitivas claras. Argentina e Uruguai são exportadores líquidos de lácteos, com forte presença em leite em pó e queijos, histórico de fornecimento contínuo e experiência em certificações exigidas pelo mercado islâmico, como halal.

Esses atributos ganham peso em um cenário global marcado por volatilidade logística, tensões geopolíticas e reconfiguração de rotas comerciais.

A Gulfood 2026 também explicita uma mudança no comportamento dos compradores. Fontes do setor apontam que há menos foco em preço spot e mais interesse em parcerias de médio e longo prazo, com fornecedores capazes de garantir volumes, qualidade constante e flexibilidade logística.

👉 Para empresas latino-americanas, isso desloca a conversa de “vender produto” para “oferecer solução de abastecimento”.

Executivos do setor lácteo acompanham esse movimento de perto. Alejandro Maurino, CEO da DairyCorp, está presente em Dubai representando a companhia em reuniões e encontros ligados ao comércio internacional de lácteos.

 

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Publicações recentes do ecossistema DairyCorp indicam que sua agenda no evento está voltada à leitura de tendências, construção de relacionamentos e análise de oportunidades em mercados que crescem mais rápido do que os tradicionais destinos latino-americanos.

A presença latino-americana na Gulfood não se limita aos grandes exportadores históricos. Países da região utilizam a feira para testar novos produtos, entender requisitos regulatórios e mapear nichos específicos, como ingredientes lácteos para a indústria, produtos fortificados e aplicações funcionais.

Ainda que os volumes iniciais sejam menores, o valor estratégico está na diversificação de destinos e na redução da dependência de poucos mercados compradores.

Outro ponto central para a tomada de decisão é a visibilidade das tendências de demanda. Embora alternativas vegetais e produtos híbridos ganhem espaço em discursos e painéis, os lácteos tradicionais seguem dominando o consumo no Golfo e em mercados vizinhos, impulsionados por hábitos alimentares, crescimento populacional e expansão do setor de food service.

👉 Para exportadores latino-americanos, isso reforça a importância de não confundir narrativa global com realidade regional.

A expansão física da Gulfood em 2026 também responde a um problema prático: eficiência. A separação por setores e por pavilhões nacionais reduz o chamado “cansaço de feira” e permite agendas mais objetivas.

Para quem toma decisões, isso se traduz em menos ruído e mais foco em negociações concretas, em um evento que concentra, em cinco dias, boa parte do comércio alimentar internacional do ano.

Visto de fora, Dubai pode parecer distante. Visto pela lógica das cadeias globais de abastecimento, é um dos poucos lugares onde oferta e demanda globais se encontram de forma direta, estruturada e recorrente.

Gulfood 2026 reforça essa posição e deixa claro que, para o setor lácteo latino-americano, ignorar esse hub significa perder leitura estratégica sobre para onde está indo a demanda global.

Mais do que marcar presença, a pergunta que a feira impõe aos tomadores de decisão da região é objetiva: quais mercados justificarão investimento, adaptação regulatória e construção de relacionamento nos próximos anos? A resposta, cada vez mais, passa por Dubai.

Valéria Hamann

EDAIRYNEWS

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