ESPMEXENGBRAIND
12 jan 2026
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⚠️ O preço do leite começa o ano pressionado, derivados não reagem e o mercado projeta ajustes finos, não retomada rápida.
📉 Com o preço do leite acumulando forte queda em 2025, indústria e produtores iniciam 2026 sem sinais claros de recuperação.
📉 Com o preço do leite acumulando forte queda em 2025, indústria e produtores iniciam 2026 sem sinais claros de recuperação.

O preço do leite ao produtor inicia 2026 em um patamar considerado baixo, mantendo a pressão sobre a rentabilidade das fazendas e confirmando um cenário de cautela ao longo de toda a cadeia láctea.

Após um 2025 marcado por quedas consistentes, o setor começa o novo ano sem reação dos derivados, com consumo interno fraco e poucas sinalizações de melhora no curto prazo.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) mostram que o preço médio líquido do leite pago ao produtor no Brasil ficou em R$ 2,1122 por litro, com referência em novembro de 2025 e divulgação no início de dezembro. Esse nível consolida um movimento de ajuste negativo que atravessou praticamente todo o ano passado, afetando diretamente o fluxo de caixa nas propriedades.

Nos principais estados produtores, as diferenças regionais existem, mas não alteram o quadro geral de pressão. Em Minas Gerais, o valor médio foi de R$ 2,1875 por litro. Em São Paulo, R$ 2,2340. No Paraná, R$ 2,0616, enquanto no Rio Grande do Sul o preço médio ficou em R$ 2,0653, todos com base em novembro. Segundo o Cepea, o preço do leite acumulou queda superior a 20% ao longo de 2025, evidenciando que não se trata de um ajuste pontual, mas de um ciclo prolongado de retração.

A fraqueza dos derivados é um dos principais vetores dessa pressão. Ao longo de 2025, produtos como leite UHT e queijo muçarela registraram quedas consistentes de preços no mercado atacadista. Na leitura dos analistas, esse movimento reduziu a capacidade de pagamento da indústria, que acabou repassando a pressão para o valor do leite cru. O mecanismo é direto: derivados mais baratos comprimem margens industriais e limitam qualquer sustentação de preços ao produtor.

Além disso, o consumo doméstico não mostrou sinais claros de recuperação. Mesmo com alguma estabilidade na demanda, o ritmo foi insuficiente para absorver a oferta disponível. Sem avanço relevante no mercado interno e com exportações enfraquecidas, o espaço para recuperação do preço do leite permanece restrito.

Do lado dos custos, o alívio não veio na mesma intensidade da queda da receita. O Cepea aponta que, embora alguns insumos tenham apresentado ajustes, os custos de produção seguem elevados em várias regiões. Isso estreitou as margens e tornou a gestão ainda mais sensível. Com preços nesse nível, qualquer ineficiência passa a pesar mais no resultado final da atividade.

Nesse contexto, decisões dentro da porteira ganham caráter estratégico. Manejo de pastagens, eficiência alimentar, qualidade da silagem, descarte de vacas menos produtivas e controle rigoroso de insumos deixam de ser apenas boas práticas e passam a ser determinantes para a sobrevivência do sistema. Expandir produção sem ganhos claros de produtividade pode diluir o problema, e não resolvê-lo.

Do ponto de vista da oferta, 2025 foi favorecido por condições climáticas mais regulares, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Isso ajudou a sustentar a produção e reduziu a intensidade da queda sazonal típica observada no Sul. Para 2026, as projeções indicam crescimento mais moderado da oferta de leite cru, entre 2% e 2,5%, o que tende a reduzir a volatilidade, mas não garante melhora imediata de preços.

A expectativa de mercado é de alguma recuperação apenas durante o período de entressafra, entre abril e agosto. Até lá, a leitura predominante é de estabilidade frágil, suficiente para evitar novas quedas expressivas, mas sem força para uma arrancada consistente do preço do leite.

Diferentemente de outras commodities, fatores externos como câmbio e bolsas internacionais não comandam a formação de preços neste início de ano. O mercado interno segue como principal referência. As exportações de lácteos recuaram cerca de 53,8%, segundo dados setoriais, aumentando a disponibilidade doméstica. Ao mesmo tempo, as importações, especialmente de leite em pó do Mercosul, continuam limitando qualquer tentativa mais firme de recuperação.

Diante desse cenário, o foco do produtor se desloca da expectativa de preço para a eficiência operacional e financeira. Controle rigoroso de custos, foco em produtividade por vaca, negociação atenta com a indústria e planejamento financeiro conservador aparecem como estratégias centrais para atravessar 2026. Na avaliação do Cepea, prudência nos investimentos será decisiva para que o produtor chegue mais forte quando o ciclo finalmente virar.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agronews

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