ESPMEXENGBRAIND
21 jan 2026
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🥛Com preço do leite abaixo de R$ 2, Conseleite se reúne para definir referência e avaliar um início de ano ainda marcado por excesso de oferta.
⚠️Preço do leite é o foco da primeira reunião do Conseleite em 2026, em meio à frustração do setor com a resposta dos governos.
⚠️Preço do leite é o foco da primeira reunião do Conseleite em 2026, em meio à frustração do setor com a resposta dos governos.

O preço do leite volta ao centro do debate em Santa Catarina nesta sexta-feira (23), quando o Conseleite realiza sua primeira reunião de 2026 para definir o valor de referência do litro que será pago aos produtores no mês de fevereiro.

O encontro ocorre em um contexto de continuidade da crise que se arrasta desde o segundo semestre de 2025, com sinais limitados de reversão no curto prazo.

O Conseleite reúne representantes da indústria e dos produtores catarinenses e, segundo o presidente do conselho, Selvino Giesel, a expectativa predominante é de manutenção dos valores atuais ou até de nova queda. De acordo com ele, os preços médios seguem abaixo de R$ 2 por litro, refletindo um desequilíbrio persistente entre oferta e demanda.

Na avaliação de Giesel, o setor ainda não conseguiu superar o agravamento da crise observado ao longo do ano passado. O início de 2026, segundo o dirigente, tem sido particularmente desafiador tanto para as indústrias quanto para os produtores rurais, que enfrentam margens comprimidas e dificuldades de planejamento.

Entre os fatores que seguem pressionando o preço do leite, o presidente do Conseleite destacou o nível elevado de estoques ao longo da cadeia. Embora as importações de leite em pó tenham diminuído, ele observou que o volume ainda está acima do considerado ideal para aliviar o mercado interno. A isso se soma um componente sazonal relevante: nesta época do ano, o consumo tende a cair, ampliando a pressão sobre os preços pagos ao produtor.

Durante a reunião, além da definição do valor de referência, o conselho deve discutir o cenário mais amplo do setor leiteiro catarinense. Segundo Giesel, o sentimento predominante entre os agentes da cadeia é de frustração com as respostas dadas até agora pelo poder público às reivindicações apresentadas por sindicatos, federações e entidades representativas.

Na visão do presidente do Conseleite, algumas medidas pontuais foram anunciadas, mas o impacto prático ainda é limitado diante do volume de leite disponível no mercado. Ele afirmou que há iniciativas em andamento e promessas de apoio, mas que essas ações têm sido tímidas frente à dimensão do problema enfrentado atualmente pelo setor.

Uma das principais apostas dos produtores e da indústria é o programa estadual Leite Bom Santa Catarina, anunciado pelo governo catarinense em 2025. Para Giesel, a criação do programa representou um avanço importante, ao reconhecer a gravidade da situação e sinalizar algum grau de intervenção pública.

No entanto, o dirigente avalia que o programa precisa ser ampliado para gerar efeitos mais consistentes sobre o preço do leite. Entre as possibilidades, ele mencionou a compra de leite em pó por parte do governo estadual como uma medida que poderia ajudar a reduzir os estoques e dar algum fôlego ao mercado. Ainda assim, ressaltou que o impacto seria limitado se não houver participação do governo federal.

Segundo Giesel, havia expectativa de uma atuação mais ampla em nível nacional, com volumes significativos de aquisição. Ele citou a necessidade de algo em torno de 100 mil toneladas para provocar um ajuste mais relevante no equilíbrio entre oferta e demanda. Até o momento, porém, essa resposta não se concretizou.

Além das dificuldades imediatas, o presidente do Conseleite fez um alerta sobre os efeitos de médio e longo prazo da crise prolongada. De acordo com ele, um número crescente de produtores está deixando a atividade, incapaz de sustentar a produção com os preços atuais e os custos envolvidos.

Esse movimento, segundo Giesel, pode gerar consequências estruturais para o setor leiteiro brasileiro. Ele destacou que, embora os consumidores estejam se beneficiando atualmente de preços mais baixos no varejo, esse cenário pode se inverter no futuro caso a saída de produtores resulte em redução da oferta.

Na avaliação do dirigente, o risco de desabastecimento não deve ser ignorado. Ele afirmou que, se nenhuma medida mais robusta for adotada, a conta poderá recair sobre toda a sociedade, com impactos tanto nos preços quanto na segurança do abastecimento de leite e derivados nos próximos anos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de RP

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