Preço do leite segue em trajetória de queda no Paraná no início de 2026, refletindo um ambiente de elevada oferta, custos de produção ainda pressionados e avanço das importações.
A avaliação consta no Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), vinculado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Segundo o relatório, o comportamento dos preços neste começo de ano repete o padrão observado ao longo de 2025 — um movimento marcado por recuos graduais e persistentes, sem sinais imediatos de reversão. A combinação de maior disponibilidade de leite cru com dificuldade de repassar custos ao consumidor final tem comprimido as margens ao longo da cadeia.
No campo, o impacto é direto. O preço médio pago ao produtor pelo leite entregue às indústrias deve encerrar o período em R$ 2,15 por litro, queda de 22,1% em relação ao mesmo mês de 2025, quando a média era de R$ 2,76.
De acordo com o Deral, a redução está associada ao aumento da produção e a uma demanda considerada moderada, cenário que limita reajustes e mantém o mercado em equilíbrio desfavorável ao produtor.
A pressão não se restringe à porteira. No varejo paranaense, o leite UHT também apresentou retração. Em janeiro de 2026, o produto foi comercializado a R$ 3,75 por litro, recuo de 3,1% frente a dezembro, quando custava R$ 3,87.
Na comparação anual, a queda é ainda mais expressiva: 23,2% abaixo de janeiro de 2025, período em que o longa vida era vendido, em média, a R$ 4,88 nos supermercados do estado. O movimento indica que a desvalorização se espalha por diferentes elos da cadeia, reforçando um ciclo de preços mais baixos.
Outro vetor relevante apontado pelo Deral é o crescimento das importações de leite em pó. O volume comprado passou de 125 toneladas em novembro de 2025 para 150 toneladas em dezembro, avanço de 20% em apenas um mês.
Esse fluxo adicional amplia a oferta interna e reduz o espaço para recuperação das cotações domésticas, especialmente em um contexto de consumo sem aceleração significativa.
Para agentes do setor, a leitura do cenário exige atenção estratégica. A persistência de preços mais baixos tende a elevar a seletividade das indústrias na captação e pode acelerar ajustes operacionais nas propriedades, com maior foco em produtividade e controle de custos. Ao mesmo tempo, o aumento das importações reforça a necessidade de monitoramento do comércio internacional, já que movimentos relativamente pequenos de volume podem influenciar o equilíbrio regional.
Embora o relatório não projete uma inflexão imediata, o quadro sugere um início de ano marcado por competitividade elevada e rentabilidade pressionada — fatores que historicamente redefinem decisões de investimento, ritmo de produção e posicionamento comercial.
Assim, o mercado leiteiro paranaense entra em 2026 sob um sinal claro: sem mudança relevante na demanda ou na dinâmica de oferta, a recuperação do preço do leite deve ocorrer de forma lenta e dependente de variáveis tanto internas quanto externas.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Portal do Agronegócio






