A produção de leite dos Estados Unidos chegou a 19,443 bilhões de libras em setembro, 2,6% acima do mesmo mês do ano anterior.
Nos 24 principais estados leiteiros, o volume foi de 18,724 bilhões de libras, com alta de 2,7%, o maior aumento mensal desde o início do verão. O motor desse crescimento é fácil de nomear: 169 mil vacas a mais.
O rebanho americano soma 9,743 milhões de cabeças, contra 9,574 milhões um ano antes. Nos 24 estados monitorados, são 9,304 milhões, e só em relação a agosto entraram 24 mil animais. Kansas e Wisconsin lideraram a expansão, com 55 mil vacas adicionais somadas. Arizona e Utah foram na direção oposta, com 13 mil cabeças a menos, enquanto a Virgínia manteve o rebanho estável.
A produtividade entra como complemento, e de forma constante. A vaca americana média rendeu 1.996 libras de leite em setembro, 18 a mais que um ano antes, e nos 24 estados a média foi de 2.012 libras, com o mesmo avanço. A Geórgia teve o maior salto, com 70 libras por vaca, seguida por Nova York (45) e Indiana (30). A Califórnia foi o único dos 24 estados a recuar, com 5 libras a menos.
O relatório do USDA também reforça a tendência de fundo. Dezoito estados aumentaram a produção, somando 522 milhões de libras a mais, e Wisconsin, Kansas e Texas responderam por 213 milhões desse total. Em termos percentuais, Kansas liderou com alta de 14,69%, seguido por Dakota do Sul (7,86%) e Indiana (7,45%). Agosto foi revisado para 19,3 bilhões de libras, 132 milhões acima da estimativa preliminar.
Todo esse leite precisa ir para algum lugar, e a pressão aparece primeiro na indústria. A maior entrada diária de leite cru testa a capacidade de tanques e de armazenagem refrigerada das fábricas regionais. As linhas de queijo e as torres de secagem seguem com agenda cheia, os estoques atacadistas de queijo e manteiga estão bem abastecidos e os preços spot enfrentam pressão de baixa.
Na fazenda, a conta chega de outra forma. A venda de vacas de descarte e de bezerros de corte nascidos de vacas leiteiras (beef-on-dairy) amorteceu o caixa dos produtores no início de 2026. Mas o custo de alimentação em alta e a receita menor com queijo ameaçam comprimir o valor líquido recebido pelo leite em 2027. O produtor precisa equilibrar a escala de rebanhos maiores com o risco de preços-base mais baixos nas fórmulas de pooling das ordens federais de comercialização.
Para atravessar o próximo ciclo, a prioridade passa a ser eficiência de conversão alimentar, melhor desempenho em gordura e proteína e uma estratégia disciplinada de hedge.
*Produzido pela eDairyNews Br, com informações publicadas por eDairy News En






