ESPMEXENGBRAIND
13 jan 2026
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🚜 Protestos agrícolas se espalham pela Europa com tratores, bloqueios e atos simbólicos após novo avanço político do acordo UE–Mercosul.
🚜 Com o calendário institucional avançando, protestos rurais voltam às ruas e ganham duração de dias em vários países europeus.
🚜 Com o calendário institucional avançando, protestos rurais voltam às ruas e ganham duração de dias em vários países europeus.

Protestos com tratores voltaram a marcar o cenário europeu nesta semana, em uma nova onda de mobilizações agrícolas que se intensificou à medida que avançou o acordo entre a União Europeia e o Mercosul.

O movimento ganhou tração após o passo político dado na sexta-feira pelo Conselho da UE, que abriu caminho para seguir adiante rumo à assinatura, ainda que o processo permaneça pendente de análise e votação no Parlamento Europeu.

O pano de fundo das mobilizações se repete em praticamente todos os países envolvidos. Agricultores expressam temor diante do que percebem como uma concorrência desigual, caso não haja reciprocidade efetiva de padrões produtivos, ambientais e sanitários. A isso se somam a pressão sobre os preços na origem, margens cada vez mais estreitas e a sensação de asfixia regulatória. Em vários casos, o rechaço ao acordo UE–Mercosul conviveu com reivindicações internas relacionadas a custos de produção, sistemas de apoio público e sanidade animal.

Na França, o foco das ações se concentrou em Paris. Agricultores identificados pelos tradicionais gorros amarelos conseguiram posicionar tratores em pontos simbólicos da capital, como a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo e a Assembleia Nacional. Cerca de uma centena de veículos participou das ações, acompanhadas por um forte e visível esquema de segurança no centro da cidade, em um protesto de alto impacto visual e político.

Na Espanha, as mobilizações se estenderam por vários dias e mantiveram elevado grau de atenção pública. Na Catalunha, bloqueios começaram ainda de madrugada e foram mantidos desde a sexta-feira, com a intenção explícita de sustentar a pressão enquanto o debate europeu avançasse. Na Cantábria, os protestos também tiveram continuidade desde o final da semana anterior, com tratores ocupando áreas de Santander. Contagens locais indicaram participação superior a 260 veículos, dos quais quase 230 eram tratores, além de unidades de apoio.

A Galícia registrou como principal ponto de mobilização a cidade de Ourense. As ações se repetiram ao longo da semana e chegaram a quase duas semanas consecutivas de protestos, com registros de 13 dias seguidos de mobilização. Ao mesmo tempo, houve manifestações pontuais em outras comunidades, como Navarra, Castilla-La Mancha, Castilla y León, Comunidade Valenciana e Aragão, compondo um mapa de protestos de intensidades variadas conforme o território.

A Polônia, um dos países que mais cedo e com maior firmeza se posicionou contra o acordo, já acumulava semanas de mobilização. Nesta semana, voltou a registrar imagens de tratores em Varsóvia, em paralelo ao avanço político ocorrido na sexta-feira. A Bélgica também reativou protestos, com ações fortemente ligadas à circulação e à logística, incluindo bloqueios dispersos que, em alguns casos, se prolongaram por mais de um dia. Bruxelas, vale lembrar, já havia sido palco de uma grande concentração antes do Natal, ainda muito presente na memória do setor.

Na Grécia, agricultores promoveram um bloqueio de 48 horas em rodovias, nós viários e pedágios, com interrupções do tráfego e presença de tratores em pontos estratégicos. O episódio se somou a um clima de protestos que já vinha se formando nas semanas anteriores. Na Alemanha, as mobilizações também apareceram na região de Berlim, com comboios de tratores e impactos nos acessos à capital, em um formato de pressão baseado em retenções e controles de entrada.

Outros países se incorporaram a esse quadro europeu de protestos. Em Milão, dezenas de veículos agrícolas chegaram ao centro da cidade, bloquearam o trânsito e descarregaram fardos de feno. O protesto incluiu gestos simbólicos, como o despejo de leite, para denunciar preços e margens ao longo da cadeia alimentar. Na Irlanda, uma das maiores concentrações do final da semana ocorreu em Athlone, reunindo milhares de agricultores e longos comboios de tratores, com forte presença dos setores bovino e lácteo. Já na Áustria, foi registrado um comboio com cerca de 95 tratores, segundo contagens policiais, encerrado com um ato que se estendeu até o início da tarde.

Com o avanço institucional registrado na sexta-feira, o processo entra agora em sua fase política mais sensível no Parlamento Europeu. A semana, no entanto, deixa um padrão claro: sempre que o calendário decisório da União Europeia avança, o trator retorna ao centro da cena. E, cada vez mais, os protestos deixam de ser ações pontuais de algumas horas para se transformar em estratégias de pressão sustentada, prolongadas por vários dias.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrodigital

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