Laticínio é elaborado artesanalmente a partir do leite cru de vacas da raça Gir, criadas a pasto na Fazenda Sant'Anna
" O Cuesta é fabricado pela Pardinho Artesanal e comercializado a R$ 240,00 o quilo, em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru)"
Produzido em Pardinho (a 120 quilômetros de Bauru) e bastante premiado, o queijo Cuesta esteve entre os seis selecionados para presentear Emmanuel Macron, presidente da França, que esteve no Brasil na semana passada. O mimo foi escolhido pela queijista Rosanna Tarcitano com o objetivo de representar a diversidade de sabores brasileiros.

O Cuesta é fabricado pela Pardinho Artesanal e comercializado a R$ 240,00 o quilo, em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru). Mas segundo o site oficial da marca, não está disponível em queijarias bauruenses.

O laticínio é elaborado artesanalmente a partir do leite cru de vacas da raça Gir, criadas a pasto na Fazenda Sant’Anna em Pardinho e fabricado em antigos tachos de cobre, informa o site. Em seguida, passa por processo de oito meses de maturação sobre prateleiras de madeira, em caves subterrâneas (um tipo de caverna, semelhante às utilizadas para envelhecer vinho), que garantem estabilidade de temperatura e umidade — as condições ideais a todo o processo. Durante sua maturação nas caves, o queijo Cuesta entra em contato com um fungo especial, responsável pelo visual característico.

O Cuesta já foi premiado com medalha de prata no Mondial du Fromage e no Prêmio Queijo Brasil de 2023.

CORRERIA

O dia em que entrou para este seleto rol foi marcado por correria. Era quarta-feira (27) pela manhã, quando um funcionário do Ministério das Relações Exteriores telefonou esbaforido para Rosanna Tarcitano, que mora em Brasília.

A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele precisava organizar uma cesta de produtos brasileiros, com destaque para queijos nacionais, para que fossem dados de presente ao presidente francês. O problema era o prazo: o regalo deveria ser entregue na manhã seguinte.

Com uma década de experiência no ramo e uma das fundadoras da Associação de Queijistas do Brasil, a ComerQueijo, Tarcitano não se apertou. Acionou uma colega do Distrito Federal, Sandra Moser, e pediu socorro. “Como ela vende queijos em feiras, costuma ter algum estoque”, conta.

A produção do presente ainda passou por uma negociação digna de diplomatas. A expectativa do Itamaraty era juntar apenas queijos mineiros na caixa, mas Tarcitano foi contra. “Sugeri uma diversidade maior de sabores, porque várias regiões do Brasil têm queijos maravilhosos e premiados”, diz. O argumento colou.

Da lista inicial, com dez queijos, já ficaram de fora os produtos que demandavam refrigeração – era impossível saber como o presente chegaria às mãos de Macron, e se o presidente francês provaria os queijos aqui mesmo, em solo brasileiro, ou se os levaria para casa.

Outra demanda do Itamaraty ajudou a reduzir a lista: que marcas tivessem conquistado medalhas no Le Mondial du Fromage et des Produits Laitiers, uma das mais importantes competições internacionais, realizada na França. A ideia era que o presente funcionasse como uma divertida provocação a Macron.

Daqueles dez queijos da primeira seleção, quatro se enquadravam. Mas Tarcitano apelou para a diplomacia mais uma vez e convenceu o funcionário do ministério a incluir outros dois produtos que, na sua opinião, retratavam melhor a diversidade queijeira do país. Bingo de novo.

“Às 14 horas, a lista já estava fechada e aprovada e começamos a formar o presente. Como alguns queijos são enormes, optamos por entregar frações embaladas. Às 17h, o presente estava pronto, para ser entregue na manhã seguinte”, lembra a queijista.

Se o gesto vai se refletir em aumento de vendas, é cedo para saber. Mas o queijeiro Bento Mineiro, produtor paulista do queijo Pardinho, está otimista. “Não há dúvida da relevância do gesto. Esse trabalho de relações públicas pode, sim, ter efeito comercial.”

OUTROS

Entre os laticínios selecionados estava o Goa moderado, produzido em Aiuruoca (MG), pela Mantiqueira de Minas e vendido por R$ 77,00 (370g). O Lua Cheia idem. É de Bueno Brandão, também em Minas, comercializado a R$ 38,30 (300g).

O Maranata Bronze é outro que esteve entre os regalos. É do município mineiro de Virgínia e está nas lojas por R$ 32,50 (250g). O último queijo mineiro da lista é o Serjão Canastra 20 dias, de Piumhi, coração da Serra da Canastra. A região é conhecida pelo leite e derivados produzidos nas altas altitudes. O presente exportado para a França é vendido no Brasil por R$ 59,00 (cerca de 420g).

Para “escapar” do eixo sudestino de laticínios, a queijista incluiu, também, o Queijo do Marajó Fazenda São Victor de origem paraense. Este prato tem origem em Salvaterra, Arquipélago do Marajó, e é comercializado a R$ 59 (cerca de 420g).

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Nunca se deve deixar os queijos abertos dentro do refrigerador porque as propriedades frias, porém secantes, destes aparelhos não são boas para o produto.

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