ESPMEXENGBRAIND
5 fev 2026
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🧪 Achado em Sacará indica que o queijo mais antigo do mundo era um produto lácteo misto, usado em rituais funerários no Egito Antigo.
🔬 Estudo com proteômica aponta que o queijo mais antigo do mundo foi feito com leite de vaca, cabra e ovelha.
🔬 Estudo com proteômica aponta que o queijo mais antigo do mundo foi feito com leite de vaca, cabra e ovelha.

O queijo mais antigo do mundo pode ter origem egípcia, segundo estudos científicos que analisaram um achado arqueológico descoberto em Sacará, uma das mais importantes necrópoles do Egito Antigo, próxima à antiga Mênfis.

O alimento, datado de cerca de 3.300 anos, foi encontrado dentro da tumba de uma alta autoridade egípcia e preservado em recipientes de barro fragmentados, envolto em tecido.

A descoberta chamou a atenção da comunidade científica não apenas pela idade do material, mas pelo contexto arqueológico bem documentado e pela possibilidade de reconstruir aspectos concretos da alimentação, da tecnologia alimentar e da saúde na época dos faraós. O depósito do produto como bem funerário indica que derivados lácteos tinham valor simbólico e prático, associados à ideia de sustento na vida após a morte.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o material encontrado apresentava características incompatíveis com gorduras ou resíduos orgânicos genéricos. Para esclarecer sua natureza, a equipe recorreu à proteômica, técnica que permite identificar proteínas preservadas ao longo de milênios. A análise foi feita tanto nos fragmentos do vaso quanto no tecido que envolvia o conteúdo.

A espectrometria de massas revelou marcadores proteicos típicos de derivados do leite, confirmando que se tratava de um queijo. Mais do que isso, as proteínas indicaram a presença predominante de leite de vaca, combinado com traços compatíveis com leite de cabra ou ovelha. O resultado sugere a produção de um queijo misto, o que pressupõe domínio técnico no processamento do leite e uma criação diversificada de rebanhos.

O protocolo seguido pelos cientistas foi rigoroso e se tornou referência para estudos semelhantes. As etapas incluíram a coleta controlada do material, o isolamento das proteínas preservadas, a análise por espectrometria de massas e a investigação de possíveis patógenos associados ao alimento.

Nesse último ponto, o achado ganhou relevância adicional. Entre as proteínas identificadas, os pesquisadores detectaram uma molécula associada à bactéria Brucella melitensis, agente causador da brucelose. A doença é transmitida principalmente pelo consumo de leite cru e derivados não pasteurizados e ainda hoje representa um problema de saúde em algumas regiões.

Caso confirmada por análises complementares, essa evidência pode representar uma das mais antigas provas biomoleculares diretas da presença da brucelose em populações humanas. O dado contribui para a história das doenças infecciosas e reforça a importância do estudo de alimentos antigos para compreender práticas de consumo e seus impactos na saúde.

Além do aspecto sanitário, a presença do queijo em uma tumba de alto status revela o papel econômico e ritual dos laticínios no Egito Antigo. O uso de vasos de barro e tecido sugere cuidados específicos de preservação e transporte, indicando cadeias produtivas organizadas que conectavam criação animal, processamento do leite e circulação de alimentos entre áreas rurais, cidades e centros religiosos.

Para os pesquisadores, pequenas amostras como essa permitem acessar informações amplas sobre clima, tecnologia alimentar, hábitos culturais e saúde, mostrando como um único achado pode lançar luz sobre múltiplas dimensões da vida em civilizações antigas.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de O Antagonista

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