Os queijos mais consumidos no Brasil ajudam a explicar hábitos alimentares, escolhas de preço e até traços culturais que atravessam o dia a dia do país.
Presente do café da manhã ao jantar, o queijo aparece derretido no pão, cru na salada, ralado sobre massas ou como ingrediente central de receitas populares, consolidando-se como um dos alimentos mais versáteis da mesa brasileira.
Apesar da enorme diversidade disponível nas prateleiras, o consumo nacional é fortemente concentrado. De acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (ABIQ), três variedades lideram com ampla vantagem em praticamente todas as regiões do país: mussarela, requeijão e queijo prato. Juntos, esses produtos respondem por cerca de 65% de todo o consumo de queijo no Brasil, impulsionados pela combinação entre preço acessível, sabor neutro e facilidade de uso culinário.
A mussarela ocupa a primeira posição com folga. Seu desempenho está diretamente ligado à presença constante em pizzas, sanduíches, lanches rápidos e preparações caseiras. Logo atrás, o requeijão mantém relevância como produto tipicamente brasileiro, associado ao café da manhã e a receitas do cotidiano. O queijo prato, por sua vez, completa o trio por sua textura macia e ampla aceitação sensorial.
Na sequência do ranking nacional aparecem cinco variedades que, somadas, ampliam o retrato do consumo interno: Minas frescal, Minas padrão, parmesão ralado, queijo coalho e cream cheese, segundo a ABIQ. Esses produtos atendem nichos específicos de ocasião de consumo, como refeições leves, pratos quentes ou uso industrial e gastronômico.
Entre os queijos considerados especiais — e, por consequência, com preços mais elevados nas gôndolas —, o consumidor brasileiro demonstra preferência clara por parmesão, gouda e gorgonzola, sobretudo como ingredientes para incrementar receitas. Ainda que representem volumes menores, esses produtos ganham espaço pela associação com sabor marcante, sofisticação e valorização gastronômica.
No total, o ranking dos nove queijos mais consumidos no Brasil inclui:
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Mussarela
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Requeijão
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Queijo prato
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Minas frescal
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Minas padrão
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Parmesão ralado
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Queijo coalho
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Cream cheese
Mesmo com essa presença constante, o consumo per capita brasileiro ainda é considerado baixo em comparação internacional. A média nacional é de 5,6 quilos por pessoa ao ano, abaixo da média global de 6,5 quilos. Na Argentina, o consumo mais que dobra, alcançando cerca de 12 quilos per capita, enquanto países europeus lideram o ranking mundial. A França aparece no topo, com 26,3 quilos por pessoa, seguida por Islândia e Finlândia, ambas próximas de 26 quilos.
A ABIQ estima que o consumo global de queijo deve crescer 1,4% até 2030, indicando espaço para expansão também no mercado brasileiro, especialmente à medida que novos hábitos alimentares e produtos diferenciados ganham espaço.
Do ponto de vista produtivo, o Brasil reúne condições estruturais relevantes. O país é o quinto maior produtor de leite do mundo, com mais de 34 bilhões de litros por ano, e produziu quase 800 mil toneladas de queijo em 2025, segundo dados do USDA. Uma parcela significativa dessa produção ocorre de forma artesanal, preservando técnicas tradicionais e identidade regional.
O último Censo Agropecuário do IBGE identificou 175 mil estabelecimentos rurais dedicados à produção de queijos e requeijão. Esse saber-fazer local é reconhecido oficialmente: nove queijos brasileiros possuem selo de Indicação Geográfica (IG), entre eles Canastra, Serro, Marajó e Queijo Artesanal Serrano, reforçando o vínculo entre território, cultura e consumo.
Entre tradição, praticidade e novas experiências gastronômicas, o ranking dos queijos mais consumidos no Brasil revela não apenas preferências, mas também o potencial de um mercado que ainda tem espaço para crescer.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Globo Rural






