Doce de leite costuma evocar lembranças afetivas, colheres furtivas na geladeira e sobremesas de domingo.
Mas, longe do imaginário doméstico, existe uma operação industrial de escala global dedicada exclusivamente a esse produto emblemático. Ela funciona na Argentina e pertence à Vacalin, considerada hoje a maior fabricante de doce de leite do mundo em volume industrial.
A história da empresa começa em 1926, com a chegada ao país de Joaquín Rodríguez, imigrante espanhol que deu origem a um empreendimento familiar que atravessou três gerações.
Mais de 90 anos depois, a Vacalin consolidou sua posição como um dos principais nomes da indústria láctea argentina, combinando tradição produtiva, padronização industrial e desenvolvimento tecnológico.
O coração dessa operação está localizado em Bartolomé Bavio, na província de Buenos Aires. A partir dessa planta, a empresa produz cerca de 30% de todo o doce de leite consumido na Argentina, atendendo tanto o mercado doméstico quanto grandes indústrias alimentícias.
Segundo informações institucionais da companhia, a produção mensal supera 4.000 toneladas, utilizando matéria-prima 100% nacional proveniente de tambos selecionados de diferentes bacias leiteiras, como Abasto Sur, Oeste, Mar y Sierras.
No acumulado anual, o volume ultrapassa 38.000 toneladas, número que posiciona a Vacalin como principal produtora mundial de doce de leite industrial. Essa escala não se limita a um único produto padrão.
A empresa desenvolveu mais de 45 fórmulas exclusivas, adaptadas a diferentes aplicações industriais e gastronômicas. Entre elas estão versões tradicional, confeiteiro, padeiro, sorveteiro, fit e alfajoreiro.
Dentro desse portfólio, ao menos 15 formulações foram criadas especificamente para atender os maiores fabricantes de alfajores da Argentina, evidenciando o papel do doce de leite não apenas como produto final, mas como ingrediente estratégico para cadeias industriais inteiras.
A padronização da produção convive com exigências rigorosas de qualidade. Todos os produtos são elaborados sob normas internacionais de controle e contam com certificações reconhecidas.
A Vacalin também se destaca por produzir linhas sem glúten e kosher e por ter sido a primeira empresa argentina certificada como Sin TACC, um diferencial relevante para consumidores com restrições alimentares.
Embora o doce de leite seja o eixo central do negócio, a companhia ampliou seu escopo ao longo dos anos. O portfólio inclui uma linha robusta de queijos, com produção superior a 300 toneladas mensais, abrangendo variedades frescas, semiduras, duras e especiais.
Esses produtos são fracionados por peso exato e embalados na origem, sob controles estritos de qualidade.
No segmento de sorvetes, a Vacalin produz cerca de 60 toneladas mensais, utilizando matérias-primas naturais e de padrão premium. A linha contempla desde potes familiares até tortas, sobremesas, bombons, produtos gastronômicos e paletas individuais, com uma capacidade produtiva estimada em 3.500 unidades por hora.
A operação industrial é complementada pela fabricação de manteiga, creme e leite em pó, que juntos somam aproximadamente 490 toneladas mensais. Essa diversificação permite à empresa diluir riscos, otimizar o uso da matéria-prima láctea e manter presença em diferentes nichos do mercado.
Paralelamente à indústria, a Vacalin apostou na aproximação direta com o consumidor final. Desde 2012, a empresa desenvolve a rede de lojas “Vacalin Como en Casa”, um formato que busca levar produtos de fábrica ao varejo urbano.
Atualmente, são 39 lojas localizadas na Cidade de Buenos Aires e na Grande Buenos Aires, além da presença consolidada nos principais canais de comercialização do país.
Esses espaços oferecem mais de 900 itens, entre produtos próprios e uma curadoria de alimentos complementares, como pães, óleos, massas, chás, frios, licores e molhos. A inauguração mais recente ocorreu no bairro da Recoleta, reunindo executivos, consumidores e representantes do setor gastronômico, em um evento marcado por degustações e atividades culturais.
Segundo Juan Manuel Rodríguez, gerente geral da empresa, a proposta é acompanhar o cotidiano dos argentinos sem perder a identidade construída ao redor do doce de leite.
Já a gerente de marketing, Jenniffer Arrieta, destaca que essa presença diária — da padaria de bairro à mesa familiar — explica por que a marca também começa a ganhar espaço fora do país.
Entre tradição, escala industrial e experiência de consumo, a Vacalin transformou um ícone cultural em um ativo produtivo de alcance global, mantendo o doce de leite no centro de uma estratégia que combina volume, especialização e identidade.
*Escrito para o eDairyNews, com informações de Agrofy News






