ESPMEXENGBRAIND
22 jan 2026
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Fórmulas infantis entram em crise global de segurança após detecção de toxina cereulide em ingrediente externo, afetando 18 países e acionistas 📉.
Fórmulas infantis entram em foco de crise sanitária com recall global e debate sobre transparência das empresas 🏛️.
Fórmulas infantis entram em foco de crise sanitária com recall global e debate sobre transparência das empresas 🏛️.

Fórmulas infantis entraram em uma crise sanitária global quando as gigantes Nestlé, Danone e Lactalis anunciaram o recall e bloqueio de lotes de seus produtos após detecção de possível contaminação por toxina, ampliando um recall que já se estendia por dezenas de países.

A notícia, que vem impactando mercados e reguladores, destaca a complexidade das cadeias de suprimento e a sensibilidade dos produtos destinados a lactentes.

O caso mais amplo começou no início de janeiro, quando a suíça Nestlé iniciou um recall voluntário de fórmulas infantis produzidas em seus sites europeus após a identificação de traços de cereulide, uma toxina produzida por cepas da bactéria Bacillus cereus. Essa substância pode desencadear sintomas como náuseas, vômitos, cólicas abdominais e diarreia — efeitos particularmente graves em bebês.

Desde então, o recolhimento de produtos se intensificou. A francesa Lactalis informou, em comunicado, que está retirando seis lotes de seu leite em pó da marca Picot distribuídos em 18 países, incluindo Austrália, Chile, China, Colômbia, Espanha, França, México e Taiwan, entre outros. A empresa explicou que a ação é preventiva, motivada pela presença da toxina em um ingrediente fornecido por um terceiro.

A Danone, outra gigante do setor, também teve parte de seus produtos de fórmulas infantis envolvidos na crise. A retirada foi ordenada pela Singapore Food Agency (SFA), que suspendeu a comercialização de um lote da fórmula Dumex Dulac 1 produzida na Tailândia como medida de precaução depois de testes relacionados à mesma toxina. A Danone afirmou que os controles internos não identificaram irregularidades nos parâmetros de segurança, mas acatou a determinação das autoridades.

Analistas de mercado destacam que a categoria de fórmulas infantis representa um percentual relevante das receitas destas companhias, embora em magnitudes distintas: cerca de 21% do faturamento global da Danone e cerca de 5% para a Nestlé, segundo estimativas de consultores do setor. O impacto sobre o valor das ações foi imediato; os papéis da Danone caíram até 8,3%, atingindo níveis não vistos desde fevereiro de 2025.

Autoridades de saúde em diferentes regiões aceleraram as investigações. Em Singapura, além do recall, reguladores bromearam que a medida visa proteger a população enquanto se aprofundam análises sobre a presença de cereulide nos ingredientes importados. Na Europa, órgãos de segurança alimentar reforçaram a necessidade de rastreabilidade dos insumos e de transparência na comunicação de riscos.

Organizações de defesa do consumidor, especialmente na Holanda, têm criticado a condução do caso pela Nestlé. Segundo estas entidades, a empresa demorou a divulgar informações públicas sobre a extensão dos lotes afetados, que cresceu de nove países em dezembro para mais de 60 em janeiro. Representantes questionaram a lógica de notificações fragmentadas e prazos dilatados para alertas, especialmente considerando a vulnerabilidade da população consumidora.

Até o momento, não há relatos confirmados oficialmente de doenças graves diretamente atribuídas aos lotes recolhidos. As empresas envolvidas têm repetido que a segurança permanece prioridade máxima e que as ações de recall são preventivas, projetadas para minimizar qualquer risco potencial. Ainda assim, a pressão regulatória e a vigilância de consumidores continuam a aumentar à medida que mais dados emergem.

Especialistas em segurança alimentar observam que a crise evidencia lacunas nas normas internacionais de controle de toxinas bacterianas em ingredientes alimentares e destaca a importância de sistemas robustos de verificação de fornecedores. A ausência de um limiar global estabelecido para a toxina cereulide, por exemplo, complica a avaliação de riscos e a tomada de decisão regulatória uniforme.

Além das repercussões imediatas no setor de nutrição infantil, a crise de fórmulas infantis levanta questões mais amplas sobre gestão de risco nas cadeias de suprimentos globais para produtos sensíveis. A integração de sistemas de inteligência artificial (IA) e tecnologias avançadas de rastreamento de insumos tem sido sugerida por especialistas como uma forma de reduzir a latência entre a detecção de problemas e ações corretivas em larga escala. Observadores do setor afirmam que investimentos em IA poderiam melhorar a precisão das análises e reduzir a dependência de métodos manuais ou fragmentados de monitoramento.

Enquanto as investigações continuam, consumidores, pediatras e reguladores monitoram de perto a evolução dos recalls e as respostas das empresas. A eficácia das medidas preventivas adotadas agora poderá influenciar políticas de segurança alimentar e confiança pública nas principais marcas de nutrição infantil nos próximos anos.

*Escrito para o eDairyNews, com informações de Forbes

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